Grande encontro de radiodifusores!

Rádio digital e A Voz do Brasil foram os destaques do 25º Congresso.

Padrão do rádio digital em 2010

Presidente da ABERT, Daniel Slaviero: Padrão do rádio digital em 2010

Realizado entre os dias 19 e 21 deste mês de maio de 2009, no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21, em Brasília, o evento da ABERT, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, reuniu mais de 1,5 mil radiodifusores e focou os principais assuntos do momento para o setor e para o país.

Para o presidente da ABERT, Daniel Slaviero, foram dias produtivos de debates e deliberações sobre o presente e o futuro da radiodifusão brasileira. Ele destaca como principal fato do congresso a assinatura da portaria para a escolha do padrão digital de rádio pelo ministro Hélio Costa (Comunicações):
 “Nossa expectativa é de que até 2010 teremos uma definição oficial do padrão para o país”.

Sobre rádio digital:

• Testes sugerem que o HD Radio é modelo mais indicado para o país
Na avaliação do assessor técnico da ABERT, Ronald Barbosa, o modelo americano, conhecido como HD Rad é o mais adequado para o país, pois permite uma transição gradual para a nova plataforma.

Ronald acompanhou os testes realizados no final de 2008 com o HD Rad em emissoras AM e FM das cidades de São Paulo, Ribeirão Preto, Belo Horizonte e Porto Alegre e conta que os resultados foram positivos em relação à qualidade do som e à robustez do sinal:

“O que nós percebemos é que o sinal digital chega mais longe e com melhor qualidade, especialmente no caso das transmissões em FM. Para as feitas em AM, o sinal ainda precisa ser aprimorado, mas a tecnologia digital permite ganhos não existentes na analógica”.

• Franceses apresentam padrão de digitalização
Representantes da Rádio França Internacional (RFI) apresentaram o sistema de transmissão para o rádio digital implantado na Europa (DRM).
Para o coordenador técnico da Regional América da RFI, o brasileiro Carlos Acciari, hoje o grande desafio do rádio é poder “ouvir o que eu quiser, quando eu quiser e aonde eu quiser”.

Acciari afirmou que a questão está baseada, sobretudo, na perspectiva do rádio deixar de ser apenas um difusor para se tornar um provedor:
“É muito mais um problema político do que propriamente tecnológico”. Na verdade, explicou ele, “a tecnologia deve estar a serviço do desenvolvimento humano”.

Dentro dessa ótica, o engenheiro francês Pascal Olivier argumentou que, em 1996, quando a Europa adotou o sistema DRM, tinha por objetivo digitalizar um número maior de frequências:
“Por uma questão de estratégia econômica, houve um entendimento de que é preciso usar a tecnologia digital e analógica simultaneamente”.

• Para parlamentares, digitalização do rádio abrirá novas oportunidades
Paulo Lustosa, deputado federal pelo PMDB (CE), acha que a nova tecnologia pode assustar os radiodifusores num primeiro momento, mas não deve ser motivo para tanta angústia:
 “A banda larga é inexorável, não vale a pena postergar esta implantação, o que precisamos é um regramento do serviço”.

Júlio Semeghini, deputado federal pelo PSDB (SP) também acredita que o ingresso do rádio na era da digitalização tem todas as condições de contribuir para o desenvolvimento do setor:
“O mundo vai mudar, o formato será outro, mas, ao mesmo tempo, novas oportunidades deverão ser abertas. E temos que ter a compreensão de que as pessoas continuarão querendo saber sobre sua rua, sobre seu bairro, sobre sua cidade. Ou seja, o local, o regional, continuarão sendo importantes”.

Sobre flexibilização de A Voz do Brasil:

• Programa A Voz do Brasil é “confisco”, afirma consultor da ABERT Evandro Guimarães, classificou a Voz do Brasil como “confisco”, uma vez que as emissoras são privadas do uso do espaço para transmissão de programação própria:
“Queremos escolher o horário para retransmitir. Nós somos a voz do Brasil”.

Paulo Bornhausen, deputado federal pelo DEM (SC), coordenador da Frente Parlamentar de Radiodifusão, concordou com o representante da ABERT sobre a inadequação da obrigatoriedade da Voz do Brasil:
“O programa prestou um grande serviço que não se justifica mais”.

João Almeida, deputado federal pelo PSDB (BA) foi categórico:
“Não conheço um só argumento para justificar esse instrumento criado na ditadura. Temos rádios pipocando pelo Brasil inteiro, até universidades têm emissoras de rádio e televisão. As associações comunitárias tem emissoras. Estamos nesse excesso de comunicação que acaba justificando a extinção da Voz do Brasil”.

Edilberto Ribeiro, que mediou os debates, citou uma das principais reclamações do setor:
“Os radiodifusores são obrigados a fornecer equipamentos, funcionários e energia elétrica para retransmitir o programa do governo. Somadas todas as horas, ao longo de um ano, a Voz do Brasil engole um mês de faturamento das emissoras. É um tributo muito caro”.

Os senadores Sérgio Zambiasi (PTB-RS) e ACM Jr. (DEM-BA) defenderam a aprovação do projeto de lei, de autoria do próprio ACM Jr., que propõe a flexibilização da retransmissão da Voz do Brasil entre as 19h e 00h30. Segundo eles, as medidas corresponderiam aos anseios das emissoras, hoje obrigadas a abrir mão da programação no intervalo das 19h às 20h.
“É um programa válido, mas não pode ter uma rigidez em um horário nobre que prejudica as emissoras de rádio. Até porque não há pesquisas recentes sobre a audiência e não há fiscalização que garanta o cumprimento da programação pelas emissoras de rádio”, avaliou ACM Jr.

Sobre a radiodifusão comunitária e ilegal:
 
• Debate de parlamentares com conselheiro da ABERT
O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) defende o sistema de rádios comunitárias nas localidades aonde emissoras comerciais ainda não chegaram. Atualmente, existem 3.386 rádios comunitárias em todo o país. Entretanto, Ribeiro faz uma ressalva quanto ao aumento da potência dessas rádios cuja abrangência deve ser de, no máximo, 1 km:
“Acontece que, muitas vezes, as rádios trocam o transmissor, aumentam a potência, entram na área comercial e realizam publicidade, o que não é permitido pela legislação”.

Marcelo Itagiba, deputado federal pelo PMDB (RJ) lembra que existem cerca de 20 projetos na Câmara dos Deputados, relativos às rádios comunitárias:
 “Essa questão tem de ter normas gerais de caráter nacional, e deve também ter normas de caráter estadual e local para que possamos ter o desenvolvimento das localidades de acordo com as suas peculiaridades”.

Paulo Machado de Carvalho, conselheiro da ABERT disse que a maioria dos projetos que tramita na Câmara de Deputados prejudica o setor. Segundo ele, essas propostas visam aumentar a potência e permitir a comercialização nas emissoras comunitárias. Ele acredita que somente através da pressão o quadro vai se reverter:
 “Cada uma das emissoras legais sabe que a pressão é fundamental para o alcance dos objetivos. Vocês devem pressionar os parlamentares de suas regiões”, convocou.

• Sobre novidade tecnológica

• Software oferece serviços para a redação em tempo real
Conhecido como Tele e Rádio News, o programa da empresa S News, de Brasília, proporciona integração e mobilidade para sistemas de informatização de redação de rádio e TV.
O software foi criado por uma equipe de desenvolvimento, formada por cerca de seis profissionais.

Eliezer Reis, analista de sistemas da empresa, diz que, desde o início, a equipe pensou em facilitar o trabalho do jornalista, já que a rotina de redação é bastante corrida:
“Por esse motivo, todas as ferramentas de gerenciamento ajudam ao máximo o profissional. Entre elas, destaca-se a integração com o teleprompter. O software permite também fazer, em poucos segundos, buscas com palavras–chaves e realizar armazenamento de matérias”.
Segundo Reis, o programa é desenvolvido para plataforma web, o que facilita o trabalho do jornalista em todos os processos da rotina, desde a captação da informação e a elaboração de textos até a exibição.

Sobre censura na publicidade:

• “A Censura é o ódio à informação”, diz publicitário
A frase do publicitário e ex-presidente da Associação Brasileira das Agências de Publicidade, Roberto Dualibi, introduziu a temática que dominou as discussões:
“O problema no Brasil é que, quando temos que lutar contra algo, se luta contra o meio e não contra a causa do problema”, completou, ao citar como exemplo o caso da propaganda de alguns medicamentos, cuja proibição não impede que a farmácia continue vendendo.
Dualibi, no entanto, defendeu a regulamentação do setor publicitário, mas, segundo ele, isso deve ser feito pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar).

O filósofo Denis Rosenfield alertou para o perigo da proibição de propagandas:
“Se a publicidade for progressivamente proibida pelo Estado, o resultado será o esgotamento do financiamento da iniciativa privada. Quanto maior a tutela do Estado, menor a liberdade de escolha do cidadão”. 

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) disse que a liberdade de expressão comercial deve ser assegurada, mas que isso não significa que não deve haver regulamentação do que é anunciado. Mercadante elogiou o Conar como órgão regulamentador e criticou o que chamou de interferência de algumas instituições nas funções do poder Legislativo, como é o caso da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que proíbe anúncios de alguns tipos de medicamento

“Vou propor que a Anvisa apresente um relatório sobre as decisões que toma e informe qual o embasamento e o propósito em que se apoiou para proibir ou restringir propagandas”, prometeu Mercadante.

Sobre burocracia do Minicom:

• Ministério das Comunicações destaca dificuldades na análise dos processos
A secretária de Serviços de Comunicação Eletrônica (SSCE) do Ministério das Comunicações, Zilda Beatriz, mostrou aos profissionais do rádio um panorama dos processos de outorgas do Minicom.
De acordo com ela, são apenas 125 funcionários para realizar todo o trabalho, que, além de volumoso, muitas vezes chega com erros de documentação ou informações incompletas, o que acaba prejudicando o andamento do serviço e atrasando o atendimento das demandas:
“Apesar de ser um processo demorado e burocrático, é importante lembrar que todos os pedidos passam por avaliação técnica e jurídica”, diz a secretária. Para se ter uma idéia, de 2005 até hoje 2.416 outorgas foram liberadas para emissoras de rádio e TV em todo o país.

FINAL, DOIS PONTOS:
1. Finalmente, o ministro Hélio Costa sai de cima do muro e
2. Convoca uma consulta pública para discutir, dentro de 180 dias, qual será o padrão do rádio digital a ser implantado no Brasil. Rare baba…

PS – O Speedy, como os caros ouvintes leitores sabem, é um serviço de acesso a internet – um provedor individual –, que usa tecnologia ADSL de banda larga e é oferecido pela empresa Telefonica no Estado de São Paulo. Nos últimos tempos, o Sr. Speedy tem falhado muito, causando graves problemas para os seus usuários. O “locutor que vos fala”, é um deles.

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Por Jair Brito

Jornalista de rádio e TV nasceu em Joinville/SC. Iniciou a carreira de radialista profissional como discotecário programador. Dirigiu emissoras de rádio em Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Foi produtor executivo de TV dos programas Ferreira Netto (SBT), Hebe Camargo e Crítica e Auto Crítica na Bandeirantes. (In memoriam).
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1 responder
  1. J.Pimentel says:

    Não pude ir ao Congresso e, cada vez que isso acontece fico com a sensação de que perdi muito. No entanto, pela retrospectiva de Jair Brito aqui, neste post, parece que tudo foi discutivo e nada resolvido. A eterna discussão de A VOZ DO BRASIL, o sistema digital (dilema existencial:ser ou não ser), sistema de concessões anacrônico e com as mesmas desculpas de sempre; Radios comunitárias, sem correções, sem controle, sem rumo;proibição de publicidade de diversos produtos, mas ninguém fala na proibição de fabricá-los. Se são produtos legais, precisam e devem fazer publicidade. Esta, por seu lado deve ser correta e responsável. A incorreção e irresponsabilidade num anúncio pode estar presente num anúncio de cigarro ou no comercial de um baton e por ai vai.E, com tanta tecnologia e avanços ainda não encontramos soluções contra a incompetência empresarial, como é o caso da TELEFÔNICA e o tal do SPEED.

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