Guarujá: a primeira em FM

A Sociedade Rádio Guarujá Ltda., pioneira em rádio na Capital catarinense é também a primeira a operar uma emissora FM em Florianópolis. A Guarujá perde apenas a primazia para a Rádio Diário da Manhã na implantação da emissora de ondas curtas, assim mesmo por poucos meses.

in?cio de carreira em 1960

início de carreira em 1960

Coube ao radialista Walter Souza a incumbência de definir e implantar a programação da Guarujá FM em 1978. Á época Walter integrava a equipe de esportes das emissoras de ondas médias e curtas da Guarujá onde também mantinha um programa musical voltado para o público jovem. Na função de disc-jockey Walter se destacara desde o início da carreira na extinta Rádio Jurerê e depois na Rádio Anita Garibaldi.

O Rádio FM, embora em uso desde meados dos anos 1950 no Brasil, em Florianópolis e na maioria das capitais brasileiras ainda era uma novidade absoluta 20 anos depois. Tão absoluta quanto absoluto era o predomínio do Rádio AM até o final dos anos 1960.

Na matéria “Uma breve história do rádio AM no Brasil” do site Radialistas –SP, o articulista situa o surgimento do rádio FM no Brasil em 1955 quando surge a primeira transmissão experimental de rádio FM, pela Rádio Imprensa, no Rio de Janeiro, extinta no fim de dezembro de 2000. Sua introdutora foi a empresária Anna Khoury, que havia fundado a Rádio Eldorado AM no Rio de Janeiro e se desligou dessa emissora por divergir do grupo de Roberto Marinho (jornal O Globo), que adquiriu a emissora.

A transmissão da Imprensa FM se reduzia às instalações da emissora, constituindo-se de uma freqüência de onda que ligava os transmissores ao estúdio da emissora, similar a de uma linha telefônica privativa. A Imprensa FM, que ampliou suas transmissões a partir dos anos 1960, tinha sua programação sem objetivos comerciais, com música e informação. Seu perfil era light, com algumas inclinações populares, porém sem aderir ao refinamento grosseiro do pop baba romântico nem a baixaria reinante na mídia, e nos últimos anos abrigava alguns programas de rock. A Imprensa foi extinta na virada de 2000 para 2001, quando passou a ser a nova Jovem Pan Rio.

O autor do texto publicado no site http://www.radialistasp.org.br/hist_radio.htm assinala que rádio FM ganhava força na segunda metade dos anos 1970, mantendo um perfil diferenciado de programação das emissoras AM. E sita: “Havia o perfil “rádio rock”, de caráter experimental, feito pelas rádios Eldorado FM (vulgo Eldo Pop, RJ), e Excelsior FM (SP), e o perfil “pop eclético”, predominantemente festivo, lançado pela Rádio Cidade (RJ), em 1977”.

Outra observação do texto citado é a possível influência dos programas de auditório (Chacrinha, Edson “Bolinha” Curi, Raul Gil, Silvio Santos), na formatação do Rádio FM adotado pela 98 FM (RJ), que passou a ocupar o mesmo espaço da agonizante Eldo Pop.

No final da década de 1970 o rádio FM desvencilha-se da pecha de “Rádio de Consultório” com suas lentas músicas orquestrais e entra na era do rádio de rock como o adotado pela Excelsior FM, conhecida como “A Máquina do Som”.

Walter Souza, que desde cedo bisbilhotava os lançamentos musicais do Rio e São Paulo importando LPs que só meses depois chegariam à Florianópolis, quando recebeu a incumbência de montar a rádio, a primeira coisa que fez foi comprar passagem de avião para o Rio de Janeiro.

Duas semanas depois, com uma discoteca abarrotada de Long Plays  novinhos em folha, Walter Souza assume suas funções de coordenador, programador, produtor, locutor e corretor da Guarujá FM, posteriormente Antena 1 de Florianópolis.

A programação embora ainda um pouco convencional com os grandes sucessos da música internacional, se completava com fortes doses de Bossa Nova, Rock e Jazz. Walter foi um dos predecessores da programação voltada para a jovem guarda, mas sempre conservando o nível de qualidade da boa música predominante.

Walter Souza – um dos veteranos da comunicação com mais tempo em plena atividade – integrou a equipe de implantação da Atlântida FM de Florianópolis, em 1980 e participou da equipe pioneira da TV Florianópolis, canal 11 em 1964. Posteriormente trabalhou na TV Cultura em 1976 e na RBSTV de 1979 até 1994. Hoje Walter é o gerente da Radio Web da ALESC – Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina.

Perguntei a ele dia destes: E o futuro Walter? Sem pestanejar e sem fazer os seus clássicos trocadilhos, foi incisivo: “Com relação ao futuro do rádio a solução é fazer três coisas simultâneas: jornalismo, prestação de serviços e bons comunicadores com um pouco de música”.

Categorias: Tags: , , ,

Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

2 respostas
  1. Michel Khoury says:

    Prezados Senhores,

    a Radio Imprensa S/A não foi encerrada.
    São duas.
    Radio Imprensa S/A de São Paulo Capital 102,5Mhz e
    Radio Imprensa S/a do Rio de Janeiro em 102.1 com nome FANTASIA de Mix FM
    Por favor confira e corrija.
    Michel Khoury

  2. LUIS PEÇANHA says:

    Escutava a Radio Imprensa FM já em 1970. Seus transmissores e antena eram em Vila Isabel e depois foram para o Sumaré.

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *