Há mais felicidade em…

Felicidade. Quando estava saindo da adolescência perguntei ao meu pai o que é felicidade, segundo seu ponto de vista.

Isso já faz mais de 25 anos. Ele disse que depende. Depende de nossos interesses, alvos, objetivos, sonhos, ilusões etc. Creio que entendi sua resposta. A felicidade é algo real e pessoal. Mas nunca é demais nos aprofundar num dos maiores anseios humanos: ser feliz.

Há poucos dias, na hora do recreio, em uma das escolas da Grande Florianópolis, vi um dos meus alunos, este, do 6° ano, com cerca de 12 anos, porém, pelo seu tamanho parecia ter menos, numa brincadeira que me veio à mente quando o vi com um pão com presunto ou mortadela, disse a ele: “Oba, vamos repartir?” O menino, sorrindo, antes que eu pudesse dizer que estava apenas brincando com ele, repartiu o pão e queria me dar a metade. Disse a ele que estava brincando, mas que ele era um menino muito generoso e que deveria saborear seu sanduíche tranquilamente. Fui à sala dos professores com essa situação em minha mente. Um menino, aparentemente pobre, com vontade que chegasse a hora do recreio para comer seu lanche, porém, disposto a dividi-lo.

Um dos meus amigos faz um trabalho de evangelização também em tribos indígenas. Ele contou que estava emocionado com algo presenciado. Como por vezes passa muitas horas nesse local e seu trabalho é voluntário, não ganha 1 real por isso (mas ganha em sentido maior), leva seu próprio lanche. Meu amigo contou sobre um menino de uns 3 ou 4 anos. Naquele dia ele havia esquecido de levar algumas balas ou pirulitos, então, ofereceu ao menino o que seria o seu lanche. Deu a ele um biscoito. O menino levou o primeiro biscoito para um de seus irmãos. Meu amigo deu mais um. Então ele levou para sua irmã. Meu amigo, achando interessante as atitudes do menino, deu a ele mais dois biscoitos; ele os deu aos seus pais. Por fim, meu amigo deu mais um biscoito; agora sim, o menino de apenas 3 ou 4 anos comeu o biscoito. Claro que o meu amigo, inteligente, atencioso e sensível, teve sua mente voltada àquele gesto tão bondoso.

Lembro de outra situação. Durante a reforma ou reconstrução do local onde trabalhava, observava um homem conhecido na região do bairro Bela Vista, em São José, trabalhando no aterro do terreno. Do outro lado da rua havia um local onde se vendia lanches: X salada e por aí vai. Quando pedi um lanche notei que o homem que trabalhava para o dono da construção apreciando o cheiro dos lanches na chapa. Ofereci um lanche a ele. O rapaz aceitou. Quando o vi indo embora perguntei por que não iria comer ali mesmo e por que não pediu um refrigerante. Ele disse que iria para casa e comeria o x salada com sua esposa. A casa alugada, com uns 20 metros quadrados ou menos e banheiro fora; era o lar daquele casal. E ele, mesmo um homem forte e que trabalhava no pesado o dia todo disse que dividiria o lanche com sua mulher.

Quando ouvimos e assistimos reportagens sobre catástrofes notamos pessoas que passariam a vida toda como pessoas comuns fazendo coisas incomuns; arriscando suas vidas, sua saúde, para salvar alguém. Há exceções é claro, mas geralmente são pessoas “financeiramente pobres” ajudando na prática. Não ficam nos beijinhos e felicitações de final de ano. Mostram na hora do apuro, da necessidade, o lado humano; junto aos bombeiros e policiais.

Quando vinha da escola hoje, estava pensando no tema desta crônica. Então me veio à mente a frase: “Há mais felicidade em dar do que em receber”. Está registrada no livro – Atos dos apóstolos – 20:35. Palavras proferidas por Jesus Cristo. E quem não fica ansioso para dar um presente a alguém amado? Como nos sentimos felizes com o sorriso de quem o recebeu.

Seja o pequeno índio de uns 3 ou 4 anos. Do trabalhador do pesado ou do menino que me ofereceu a metade do seu pão; enquanto há seres humanos mostrando podridão em seus atos há também aqueles que com certeza são a esperança de que fomos feitos – à imagem e semelhança de alguém muito maior, muito melhor. Ainda bem. Ainda bem que há os que sentem mais felicidade em dar do que em receber. Esses sentem e sentirão o sabor da tão procurada – felicidade.

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