HB 105: Acolhendo os primeiros imigrantes

De volta ao acampamento, às margens do Ribeirão da Velha, Dr. Blumenau ficou sabendo que Hackradt tivera as mesmas boas impressões. No cotejo de prós e contras saíram vencedores os prós. Decidiram, então, dar início à tão planejada grande obra de colonização. O primeiro cenário era ali mesmo: trecho de terra entre os ribeirões da Velha e do Garcia. Os limites ficavam entre o atual pontilhão da Rua São Paulo e o da Rua Quinze de Novembro, via que liga um extremo ao outro. Ficariam às margens do Itajaí, que lhes oferecia o aproveitamento do curso inferior navegável do rio para uma boa comunicação com o litoral.


Dito e feito. Hackradt encarregou-se dos trabalhos preliminares na floresta. Faria as obras necessárias para acolher os primeiros imigrantes. Dr. Blumenau incumbiu-se das negociações com autoridades do Desterro e do Rio de Janeiro, além da propaganda e engajamento de candidatos à emigração na Alemanha. Encerrava-se, assim, a primeira e bem sucedida viagem de exploração. É preciso, contudo, relembrarmos que o projeto inicial, de quando o Dr. Blumenau saíra da Alemanha, havia ganhado adaptações da realidade, enriquecido pelas experiências do colonizador no contato com as características locais. Não ficava muito diferente, porém, das linhas mestras do seu tratado.  O Dr. Blumenau apressou-se em seguir para Desterro. Em dezesseis de março de mil oitocentos e quarenta e oito encaminhou requerimento à Assembléia Legislativa, na condição de representante da Sociedade de Proteção aos Imigrantes Alemães no Sul do Brasil. Tal documento merece particular atenção da história. Em seus traços principais reflete as idéias contidas no tratado de mil oitocentos e quarenta e seis, enriquecidas, naturalmente, com a experiência dos dois anos em que se encontrava no país. Era o mais completo dos projetos contemporâneos já apresentados pela concorrência.

A seguir: Dr. Blumenau havia pensado em tudo, surpreendendo o governo pela pertinência dos detalhes.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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