HB 108: é proibida a entrada de escravos na Colônia

Dr. Blumenau era intransigente na questão dos escravos. Primeiro, por uma convicção pessoal. A exploração do homem pelo homem, em circunstâncias tão abjetas como a compra do ser humano como se fosse mercadoria, não cabia na sua filosofia de vida. Segundo, porque sabia que o rendimento de uma mão de obra dessa natureza não corresponderia às expectativas de qualquer realizador. Por último, ponderava as origens culturais de um povo que, pela diversidade de costumes e hábitos completamente diferentes, só poderia trazer acréscimo aos problemas de natureza humana, jamais soluções ao projeto de colonização. Sobretudo, era contra suas convicções humanistas.

Em vista disso estabeleceu no artigo quatorze, conhecido no capítulo anterior, a proibição para a entrada de escravos em terras que fossem concedidas ou adquiridas pela Companhia que representava. E não admitia circunstâncias que pudessem criar exceções para essa regra. Tal orientação foi sempre religiosamente observada por ele, apesar de que o governo nunca tenha chegado a dar força de lei ao projeto apresentado. Como sabemos, ele pretendia um colônia modelo. Seu projeto era o mais abrangente e mais completo de quantos outros o governo havia recebido da concorrência. Suas preocupações iam desde a formação moral dos colonos até à necessidade da cultura física na nova terra.
Pois bem! O requerimento do Dr. Blumenau, acompanhado do projeto de colonização com modificações propostas pela comissão legislativa a que fora encaminhado, chegou ao plenário. Foi aprovado com entusiasmo pelos deputados e daí encaminhado à sanção do Presidente da Província, Antero José Ferreira de Brito. Este que, no primeiro contato com Dr. Blumenau mostrara-se francamente favorável à proposta, vetou o documento da Assembléia. Em conseqüência, o documento voltou ao parlamento da província para discussão dos motivos que determinaram o veto e para uma análise mais cuidadosa do projeto.  A seguir: o quê teria determinado o veto do Presidente da Província, se era tão favorável ao projeto?

 

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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