HB 115: O navio jogava desesperadamente revolvendo tudo a bordo

Dr. Blumenau continua sua narrativa, em carta a um amigo, enfocando a viagem de retorno da Alemanha após ter conseguido motivar os dezessete primeiros imigrantes para vinda à colônia. Prossegue ele: “Ao sul do equador apanhamos fortes aguaceiros. O precioso líquido foi recolhido em boa quantidade em velas e barris”. Referia-se ele à água potável, já escassa na viagem, que estava racionada. “ Houve também ventos fortes  – prossegue – e mar tão agitado que tive que ficar deitado, sem poder mover-me. O navio jogava desesperadamente revolvendo tudo a bordo.

As dezoito mudas de árvores frutíferas morreram todas”. Essa parte do seu relato dimensiona, muito bem, a aventura que era a viagem marítima, cujos riscos não podiam ser previstos antes do início.  Na seqüência, conta como foi a chegada ao Brasil. “À entrada do Rio de Janeiro, senti-me invadido de um inexplicável sentimento de tristeza, como se tivesse a pesar-me sobre a alma um enorme manto de chumbo. Foram pressentimentos, sem dúvida, pois, ao desembarcar, fui à casa de meus amigos Schroeder & Cia., onde me entregaram várias cartas, da Europa e de meu sócio, três das quais me traziam notícias bem tristes”.

A primeira correspondência aberta pelo Dr. Blumenau noticiava o falecimento do seu pai, Karl Frederico Blumenau, ocorrido a dois de abril de mil oitocentos e cinqüenta, aos setenta e nove anos. Mas a segunda poderia ter sido, no plano sentimental, tão contundente ou mais triste que a primeira.  A seguir: qual poderia ter sido a notícia da segunda carta?

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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