HB 125: Ganhei meu sustento trabalhando no engenho de serra

Retomamos o final do capítulo anterior, em que o Dr. Blumenau narrava, em carta a  um amigo, a situação encontrada no seu retorno da Alemanha e dava ciência dos primeiros movimentos efetivos para instalação da colônia. Dizia ele: “entretanto , chegaram os primeiros imigrantes dos quais só alguns consegui hospedar; os outros, e entre eles meu sobrinho e alguns rapazes bem instruídos, acharam abrigo fora do meu rancho. O meu sócio despediu-se agora”…  explicação: a dissolução da sociedade entre o Dr. Blumenau e Hackradt deu-se a quinze de outubro de mil oitocentos e cinquenta. Segue ele: “Levou o seu capital, com os juros, e oitenta mil réis de gratificação. A minha propriedade custa-me agora oito mil thalers em dinheiro e seis mil em dívidas a dezoito por cento de juros anuais, embora o valor de tudo seja apenas um terço”.

“Ganhei o meu sustento trabalhando no engenho de serra que estava muito mal colocado, chegando uma vez água da enchente até o telhado”, continua o Dr. Blumenau. “Em pouco tempo esse engenho tornara-se imprestável, tendo-me dado um prejuízo de cerca de três mil thalers. Desapareceu, assim, a minha única fonte de rendas. Eu me vi arruinado, quase doido pelos sofrimentos e dificuldades por que passei”. Aqui uma pausa para reflexão. A história do município desconsidera tais detalhes, como é natural. Ela se atém aos fatos lineares, registrando acontecimentos de conteúdo próprio. Mas, para que se tenha uma ideia de tudo quanto acontecia ao homem que dera início de tudo, é essencial saber das suas alegrias e dos seus sofrimentos, uma exigência no resgate dos valores do homem.

A seguir: nem bem a instalação da colônia iniciava e Dr. Blumenau se via diante da falência.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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