HB 130: Sempre um forte aos olhos dos liderados

Apesar das muitas reclamações, as perdas não foram reavidas. “Isso foi um golpe muito violento para mim”, diz o Dr. Blumenau em sua carta. “Já estava doente e fraco e, infelizmente, minha mãe – o meu amparo – já não existia mais. Recebi a notícia da morte dela na véspera do meu embarque para o Rio. Tal foi a minha dor que, por muito tempo, deixei-me invadir de uma apatia e um desânimo que não sei como não me perdi”. Talvez esta seja a confissão mais franca e aberta do colonizador em toda sua história. Provavelmente, foi a maneira que ele encontrou para abrir o coração e permitir o alívio que isso pode produzir em quem está sob pressão quase fatal. Jamais, porém, ele encontraria ambiente na sede da colônia para tamanho desabafo. Teria que ser – e parecer – sempre um forte aos olhos dos liderados.

“Sempre consegui reaver duas colmeias e umas duas ou três plantas. O engenho de açúcar, que seria a minha nova fonte de renda, em não o vi mais. Em situação tão precária, um amigo me socorreu com dinheiro, até que recebi o meu quinhão hereditário. Pude, assim, continuar os meus trabalhos, bem-dizendo a mão que me auxiliara. Ao chegar à casa, precisei ainda de um descanso que durou até o Natal. Passaram-se assim um ano e meio. Não me animei, nesse tempo, a escrever cartas, pois, os assuntos sinistros não agradam a ninguém”. Esta confissão coloca em evidência o espírito preparado do Dr. Blumenau. Sabia, muito bem, que a ninguém interessa o problema dos outros. Levava em conta um procedimento de preservação, que o impedia de ficar transferindo suas queixas a quem quer que fosse. Exceto, é claro, neste caso, premido pela necessidade, essencial, de compartilhar as desventuras.

 

A seguir: novas perdas provenientes do excesso de confiança do Dr. Blumenau.

 

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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