HB 134: O ano de 1853 passou muito ligeiro

Voltemos à carta do Dr. Blumenau. Nada melhor para sentir as suas emoções, do que ouvir as palavras lançadas por ele no papel. Dizia, ainda: “colecionei orquídeas, no que me ajudaram o Dr. Fritz Muller e seu irmão Augusto. O primeiro é um naturalista competente e um ótimo colono que trabalha com o machado como um lenhador experimentado. Augusto Muller é jardineiro. O Dr. Muller mostrou-me novas espécies de orquídeas que eu ainda não conhecia. O ano de 1853 passou muito ligeiro, entre trabalhos excessivos e muitas amarguras. Fiz um balanço geral e descobri que nos últimos dois anos tive um saldo total de 165 mil réis. Chegaram muitos colonos e eu estava sozinho nos meus múltiplos serviços”.

A situação aflitiva da colônia impunha ao seu empreendedor uma economia de guerra. É quando ele afirma na carta: “devido aos poucos recursos que eu tinha, era obrigado a fazer, apenas, as despesas mais necessárias e não podia ter empregados. Fiz traçados de novos caminhos, marquei derrubadas, comprei, vendi e distribui víveres, tudo eu sozinho, tendo, pois, muito pouco tempo para pensar noutras coisas. Bem ingrata e amarga tarefa é colonizar”. Essa frase do Dr. Blumenau soava contundente. E ele prossegue: “se o senhor quiser expiar algum pecado grande, experimente esse meio. Para o senhor que é católico, um ano nestas matas virgens valeria bem vinte e cinco anos de purgatório”

A seguir: Dr. Blumenau confessa-se farto de tudo.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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