HB 138: O colonizador queimou a língua

De acordo com o Dr. Blumenau, as autoridades alemãs não tinham a menor noção do enorme proveito que poderia advir para a Alemanha a colonização, por parte do elemento germânico, das terras fertilíssimas do sul do Brasil. “Não espero mais auxílio do governo da Prússia”, continua ele. “A minha esperança está no governo do Rio de Janeiro. O muito serviço e moléstias impediram-me de chegar lá antes do mês de julho. Examinei o ambiente, tendo-o achado muito desfavorável pelo que, depois de uma estada de quatorze dias na Corte, regressei ao Itajaí”. Por acaso ou por decorrência do trabalho efetuado quando da sua estada na Alemanha, o colonizador queimou a língua, como se diz na linguagem popular.

É que nessa ocasião chegaram numerosos colonos, alguns com bastantes recursos. A primeira turma foi de noventa e, até o fim do ano, cento e sessenta. A maioria deles era gente hábil e honesta, conforme registra em sua carta. Só pôde retornar ao Rio de Janeiro em novembro, segundo ele por estar assoberbado de serviços. “Escrevi memorandos volumosos, que terminei há oito dias”, prossegue ele. “Neles expliquei os meus pontos de vista na fundação de uma colônia sob o regime de pequena propriedade e fiz um relatório minucioso de quanto eu já fizera e conseguira com os meus atribulados trabalhos e insuficientes recursos; pedi um auxílio, não uma esmola, de dez contos de réis”.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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