HB 143: Hermann Blumenau abre o coração

“Realizando-se tudo isso, então eu saberia unir o útil ao agradável, fazendo-lhe, de vez em quando, umas remessas de plantas em troca de outras que o senhor me mandaria. Esta é uma das minhas predileções pela qual tenho gasto dinheiro, assim como na compra de livros”. Se havia necessidade de um completo desabafo, Dr. Blumenau deve ter feito dessa correspondência o momento mais significativo. Não usou subterfúgios. Abriu o coração completamente. “Eu não bebo, não jogo, não sou dado a conquistas amorosas, pois quero dar aos meus colonos um bom exemplo. O meu modo de viver é mais do que simples, é quase miserável, pois não quero servir de alvo a críticas e mostrar que, com tenacidade e persistência, consegue-se sempre alguma coisa”.

No mundo de hoje, abarrotado de alternativas para o lazer e distrações, fica difícil imaginar em que o colonizador aplicava o pouco tempo que se dedicava para reposição das energias. Basta desenhar na imaginação uma selva inóspita, com vozes selvagens a fornecer o único som de que dispunham, para concluir que eram bem poucas as chances. È o que ele informa: “não podendo passar sem distrações, eu encontro minha alegria nas plantas e nas flores. No convívio delas eu esqueço  a miséria, as ingratidões e os aborrecimentos que tenho tido nos últimos quatro anos. O senhor na velha Europa, com a vida metódica que leva, não pode sequer imaginar tudo o que sofri. Aqueles mesmos que maiores benefícios receberam, pagaram-me de uma maneira estúpida”.

A seguir: alternando desabafo e otimismo, Dr. Blumenau põe à mostra uma têmpera incomum.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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