HB 145: Dr. Blumenau, uma personalidade incomum

O conhecimento dessa carta do Dr. Blumenau é imposição da história. Ninguém melhor do que ele para narrar, com tal propriedade de sentimentos, o que foi aquele período de sua vida. Ademais, é a demonstração da sinceridade, do desprendimento, do entusiasmo com que fundou sua colônia. Tem importância particular, também, ao dar conta ao seu amigo, e à posteridade, das mágoas, das poucas alegrias, das indecisões e decisões a que foi empurrado pelos fatos. Deixa bem vivos para a história valores intrínsecos de uma personalidade incomum, enquanto define o perfil de alguém privilegiado por uma inteligência viva, cultura e raciocínio brilhantes. Brota desse conteúdo a  certeza da força interior que alimentava um ideal grandioso.

Muitos outros eventos e contratempos exigiram dele características de uma têmpera muito pessoal. Ataques dos botocudos, a primeira enchente, a morte de colonos afogados no rio, somaram-se para inibir a vinda de colonos. Aos trancos e barrancos – como se diz no linguajar popular – chegou ao ano de 1855. Aí vamos encontrá-lo na Corte, armado de todos os argumentos necessários para jogar a cartada final. As dificuldades vivenciadas na selva, as experiências malogradas com os prejuízos sofridos, a certeza de que precisaria mudar de estratégia, alimentavam a convicção de que haveria de lograr êxito junto ao Governo Imperial. Ia colocar em cheque, pela primeira vez, a amiração que o Imperador lhe devotava.

A seguir: finalmente, uma luz no fim do túnel.

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