HB 59: Aqui era o presente

Rompe o ano de 1880. Bons presságios para a colônia. A vida seguia sua trajetória de sucesso para aqueles que, um dia, acreditando nas informações de um visionário, abandonaram tudo. Deixaram familiares, propriedades, uma Pátria com mais de quinhentos anos de estrutura, experiências, solidez institucional, sólida cultura, em busca de um sonho do outro lado do oceano. Talvez ao sonharem lá, tão distante do calor estafante destas paragens, sem insetos e outros animais ameaçadores, livres de bugres para os quais o branco era uma ameaça, não imaginassem que estariam dentro de uma selva fechada, onde só se ouvia o som estridente dos macacos e o grunhir de bugios, emoldurados pelo canto dos pássaros. 
 
Mas tudo ficou no passado. Aqui era o presente. Embora as dificuldades todas, trabalhavam para construir um futuro digno da sua ousadia. A colônia se fazia líder de produção e constituía um dos centros industriais de maior atividade no Brasil. Vale, aqui, uma pausa para reflexão. Todos estes anos depois, numa cidade tão peculiar quanto à sua arquitetura, com um povo que herdou as tradições de trabalho e criatividade daqueles antepassados, quando as atenções do mundo continuam voltadas para suas características, é difícil – muito difícil – imaginar aqueles tempos! Mas é chegado o momento da emancipação política.
 
1880 marca a terceira etapa das três em que o Professor José Ferreira da Silva dividiu a história inicial: fundação, instalação e emancipação da colônia. Em quatro de fevereiro foi sancionada pelo Presidente da Província, Olímpio de Souza Pitanga, a Lei número 860.  Ela desmembrou do município de Itajaí as freguesias de São Pedro Apóstolo de Gaspar e de São Paulo Apóstolo de Blumenau. Passavam a se constituir em município autônomo, com sede em Blumenau, alcançando a categoria de vila. É possível imaginar o orgulho dos seus habitantes? Teríamos, hoje, sensibilidade para avaliar o quanto isso significou para os destinos desta terra?

No próximo capítulo: Com a maioridade política, novos desafios.

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Por Vilarino Wolff

Radialista, jornalista, escritor e ator (teatro e cinema). No rádio foi comentarista político e comunitário, animador de auditório, apresentador de programas, noticiarista, narrador, locutor de comerciais e cerimonialista. Como político foi eleito para vários cargos públicos em Lages e Blumenau onde reside atualmente.
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