HB 92: os meios de promover a colonização

O documento do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Rio de Janeiro, lançado na Alemanha pelo Marquês de Abrantes, não poderia ter chegado em melhor hora nos planos do jovem Blumenau. O seu Tratado, eivado de informações precisas e afirmações bastante amadurecidas, algumas contundentes, inclusive, em função da inapetência dos governantes alemães em encarar o assunto, teve nesse documento uma complementação valiosa. Ele fornecia dados que valorizavam o documento de Hermann e o emparelhamento dos dois pode ter sido a influência definitiva para os acontecimentos seguintes. Como é costume dizer na gíria popular, foi a união da fome com a vontade de comer.

“A Memória sobre os meios de promover a colonização” – esse o título do documento do Marquês de Abrantes – trata da aptidão dos colonos teutos, das regiões preferenciais para a imigração, da seleção dos mais capazes, dos meios de atraí-los, do seu transporte por mar, das providências necessárias para a realização dos postulados nacionais, contendo, ainda, observações relativas às instituições dos americanos e dos ingleses, dados sobre as opiniões dominantes na Alemanha com respeito à imigração em geral e a reserva em relação ao Brasil, bem como uma série de pontos de vista manifestados na Suíça e na Alemanha.

O Marquês de Abrantes havia constatado, assim como Hermann Blumenau, que a Alemanha fornecia ao antigo e ao novo mundo o maior número de povoadores. Só nos Estados Unidos estariam domiciliados quase seis milhões numa população total de vinte milhões. Uma informação que marcou foram as declarações oficiais de presidentes da União Norte-Americana, destacando qualidades dos colonos teutos: grande aptidão para o trabalho na agricultura e para as artes e ofícios, o culto às tradições, o amor à família, a conduta moral, a sobriedade e resignação, o espírito pacífico e o respeito às autoridades./ O tempo passa, mas a base permaneceu. Veja-se que em nossos dias são visíveis, ainda, esses traços, embora a miscigenação ocorrida nestes cento e cinqüenta e sete anos.

A seguir: o Marquês de Abrantes ajudou a construir uma linha de conduta para aquele jovem sonhador.

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