HB 94: encarando o destino

Hermann Blumenau entrou em contato com a Sociedade de Proteção aos Imigrantes Alemães no Sul do Brasil por intermédio de Alexandre von Humboldt. Era o ano de mil oitocentos e quarenta e quatro e a entidade havia sido fundada dois anos antes. Dessa sociedade ganhou a missão de estudar “in loco” as condições brasileiras e preparar o terreno para uma colonização em ampla escala. Concedia-lhe, além de ajuda de custas para a viagem, um ordenado mensal de duzentos mil réis.

 

É possível perceber aqui que, de fato, o jovem Blumenau atacava várias frentes ao mesmo tempo. Concorria ao título na Universidade, pesquisava tudo que podia sobre emigração e colonização e encontrava-se com pessoas abalizadas para formação do seu Tratado.

Apenas sete dias após a colação de grau embarcava ele com destino ao Brasil. Era trinta de março de mil oitocentos e quarenta e seis. A sensação que fica é a de que ele foi extremamente competente no encaminhamento dos seus assuntos, a tal ponto que uma semana depois de formado embarcava para a viagem da qual não previa retorno.

A embarcação era o veleiro Johannes, imortalizado por haver transportado um dos maiores vultos da história da sua época. Chegou ao Rio Grande do Sul em dezenove de junho, de onde escreveu para sua mãe. É bom que se diga que nem ela, nem o pai, haviam aprovado seus planos. Talvez por isso os termos dessa carta deixem extravasar a essência do seu pensamento e muito dos sentimentos que abrigava.

“Não parti levianamente”. Assim começou a carta. “Mesmo que a despedida quase me tivesse despedaçado o coração, e embora, às vezes, eu estivesse a ponto de sentir nostalgia – era preciso que assim fosse, pois dentro em mim clamava uma voz íntima tão forte que eu não conseguia opor-lhe resistência.

Ora! Tenho a mais honesta das intenções. Não deixei a cara Pátria apenas para ganhar dinheiro. Assim sendo, posso estar tranquilo, porquanto o céu não me abandonará. Agora me encontro aqui, bem satisfeito e, se Deus quiser que a coisa prossiga favoravelmente, e se algo for realizado e eu conservar a saúde, então, segundo penso, ainda darei alguma coisa boa, e tu, minha encantadora mãezinha, hás de ficar contente com teu velho “homenzinho” e hás de citar, honrada, o seu nome”.

A seguir: Blumenau encarava, de frente, o destino, aos 27 anos.

 

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