Hb83: atitudes que a história do município não registra

Ao pesquisar a vida de Hermann Blumenau é que se pode avaliar os precedentes que o fizeram mandar-se para o Brasil. Nessa pesquisa aparecem atos e atitudes suas que a história do município não registra. O que, aliás, é simplesmente natural. Quem estuda a história de Blumenau não se detém, necessariamente, na história de vida do colonizador. Nem precisa. Nosso projeto, todavia, não pode dispensar as razões, nem as causas e muito menos as motivações que inspiraram o fundador da cidade a tão notável feito. Sua figura aparece na história de Blumenau como personagem já composta, sem espaço para interpretações. Mas sua figura humana merece e precisa ser conhecida.

A partir do primeiro encontro com J. Sturz, Cônsul Geral do Brasil na Prússia, que aconteceu em mil oitocentos e quarenta e quatro, é que o jovem Blumenau mostra a vontade – ou sente aflorar a vocação – para as coisas da emigração alemã. E o foco é o Brasil, prioritariamente, tendo a América Latina como segundo plano. Passou por Von Martius, que lhe forneceu subsídios reconhecidamente valiosos. Fez chegar às mãos do Geógrafo Johann Eduard Wappäus, professor na Universidade de Göttingen e autor de numerosas obras sobre o Brasil, anotações que intitulou como o Tratado de Roloff. Percebe-se que tudo acontecia enquanto Blumenau cursava a Faculdade de Filosofia na Universidade de Erlangen.

Isso mostra o quanto o jovem, então com vinte e cinco anos, dedicava-se ao estudo da questão emigratória. Onde buscava tempo para tudo?  é a pergunta em muitas das anotações que retratam sua vida. Enquanto jovens, seus contemporâneos, passavam por experiências naturais da idade, levando uma vida de divertimentos e vivências paralela à vida acadêmica necessárias ao equilíbrio emocional, psicológico, intelectual e espiritual, o jovem Hermann vivia debruçado nos livros. Hora eram as obrigações do curso universitário – no qual laureou-se com destaque e honrarias- hora era sobre estatísticas, mapas-mundi, análises e projeções das correntes migratórias que deixavam a Alemanha do seu tempo.

No próximo capítulo: Blumenau recomendava, em seu tratado, que fosse dificultada a saída de compatriotas para outras regiões do mundo.

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