HERON DOMINGUES

Lendário locutor de rádio, testemunha ocular da nossa história. Locutor do inesquecível Repórter ESSO durante 18 anos
Ele é considerado o maior locutor de notícias no rádio brasileiro em todos os tempos. Caracterizava-se por interpretar as notícias, transmitindo emoção e dramaticidade. Apresentou o Repórter Esso na rádio Nacional do Rio de Janeiro e Tupi de São Paulo, durante 18 anos. Revivemos neste artigo um pouco dessa figura marcante da história do rádio brasileiro.
Por Chico Socorro

Heron Lima Domingues nasceu na cidade de São Gabriel, Rio Grande do Sul no dia 4 de junho de 1924.
Com 16 anos participou de um concurso para cantores na Rádio Gaúcha, mas, a direção da emissora, sabiamente, acabou contratando-o para a área de radiojornalismo.

Sua primeira notícia foi transmitida pela Rádio Gaúcha de Porto Alegre, em 1941, e anunciava a entrada dos Estados Unidos na II Guerra Mundial, devido ao ataque japonês de Pear Harbor.
No Rio Grande do Sul, chegou a trabalhar nas Rádios Gaúcha, Farroupilha e Difusora de Porto Alegre.

A carreira de Heron ganha importância, de fato, a partir de 1944 como locutor do Repórter Esso, que era transmitido pelas rádios Nacional do Rio de Janeiro e Tupi de São Paulo. O Repórter Esso já estava no ar desde 28 de agosto de 1941.
 
Ele mesmo relataria: “trabalhei no Repórter Esso de 1944 a 1962, sem um dia de folga”. Levantava-me ás 6h45 h e voltava para casa à 1h30 da madrugada. Nos períodos críticos, dormia na rádio, que tinha uma cama na redação. Para se ter uma idéia da época conturbada em que vivíamos, no período em que fui locutor do Repórter Esso, houve no Brasil dez presidentes da república.

Durante a guerra, dormia na Rádio Nacional com um fone no ouvido, diretamente ligado a [agência de notícias] UPI. Sempre que havia uma notícia importante, eles me despertavam, eu mesmo colocava a emissora no ar e transmitia a notícia. Para o fim da guerra, preparamos uma audição especial do Repórter Esso, em que a notícia seria dada fundida com o repicar de sinos.
Com medo de me emocionar muito diante do microfone, gravei o início da transmissão: Atenção! Atenção! Acabou a guerra.
“A notícia foi ao ar às onze horas da manhã do dia 7 de maio de 1945”.
Ele recordou em uma entrevista as 5 notícias que lhe causaram maior emoção:
– O Fim da II Guerra Mundial em Maio de 1945.
– O lançamento da bomba atômica em Hiroshima em agosto de 1945.
– O suicídio do presidente Getúlio Vargas em 1954 e que o levou às lágrimas.
– O lançamento do primeiro satélite artificial em órbita terrestre (Out.1957).
– A conquista pelo Brasil da Copa do Mundo de 1958.
Heron Domingues incorporou plenamente o slogan famoso do Repórter ESSO: Testemunha ocular da História.

Ele foi também um dos primeiros apresentadores de TV do Brasil, tendo ingressado na TV Tupi em 1961. Em 1972 transferiu-se para a TV Globo e se tornou âncora do Jornal Internacional da emissora.
Villas-Boas Corrêa, o mais antigo analista político em atividade no país, fez em 2003 um interessante relato sobre a notícia da morte de Getúlio Vargas dada por Heron Domingues e que vale a pena transcrever:
“Na época eu trabalhava em O Dia, que ficava na Rua Marechal Floriano, e no Diário de Notícias, na Rua da Constituição, transversal da Praça Tiradentes”. O desfecho, ao que tudo indicava, estava próximo: Getúlio ia tirar uma licença, que se transformaria em renúncia. Era uma fórmula menos polêmica. Como o jornal era matutino, a edição estava pronta e tinha todo mundo ido para casa. Eu fui o último porque tinha que fazer a matéria de O Dia, que era vespertino. Estava morto de cansado após uma noite em claro; lavei o rosto e fui me arrastando para a Praça Tiradentes. A notícia do suicídio explodiu quando eu estava na altura da Uruguaiana. Numa loja de rádios, ouvia-se alto a voz de Heron Domingues lendo a carta-testamento. Bem na minha frente estava uma senhora negra, baixota, gorda, com duas sacolas na mão. Ela parou e parecia inchar. De repente, berrou com violência: “Canalhas, ladrões, mataram nosso amigo, mataram o velhinho”. Ela fez um comício desesperado.
Heron Domingues, aos 50 anos, veio a falecer, vítima de um ataque cardíaco fulminante, na noite de 9 de agosto de 1974 em que dava destaque ao dramático discurso de renúncia do Presidente Nixon através do Jornal Nacional na TV Globo.
Morreu em pleno exercício do ofício que abraçara com tanto amor e profissionalismo. Um profissional que fez escola entre os jornalistas de jornais falados.
Heron Domingues, portanto, merece ser lembrado pelo Site Caros Ouvintes por ter sido um exemplo de profissional, um perfeccionista da informação, verdadeiro ícone do rádio brasileiro.
:: Clique aqui e ouça a voz de Heron Domingues
:: Clique aqui e ouça o depoimento de seu amigo e jornalista Luis Mendes
Fotos e áudios: http://www.pucrs.br/famecos/vozesrad/heron/heron.html


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