História de Blumenau – 40

Em 1862 acontece novo ataque dos índios à colônia. Desta vez, no Garcia. Este registro é importante, porque dimensiona bem as dificuldades enfrentadas pelos colonos. Além do clima inóspito e dos inconvenientes mosquitos, já comentados, aconteceram muitos outros ataques dos selvagens da região. As estatísticas informam que do ano de 1852, quando tudo começou, até 1914, com Blumenau já município, foram 61 os ataques de botocudos e coroados , nos quais pereceram 41 pessoas e outras 22 resultaram feridas.

Em 1856 os índios mataram os imigrantes João Kaben e Augusto Hammester. Este último era casado e deixou quatro filhos entre um e nove anos. O pânico e o desespero levaram os colonos à caça dos bugres, acompanhados da guarda de pedestre. Mas não tiveram sucesso. Relato de Julius Baumgarten, de 7 de dezembro de 1855, conta que oito ou nove bugres pegaram de emboscada, no dia 9 de novembro, a Paul Kellner e seus operários, quando trabalhavam na serraria. Paul foi ferido nas costas, um operário levou flechada no coração e morreu na hora. Outro operário foi atingido nas costas mas conseguiu fugir, juntamente com Paul. Operados na serraria de um amigo para retirada das flechas, o operário morreu, Paul Kellner salvou-se.

Outro capítulo que ilustra a história dos ataques de indígenas está em uma carta de um tal senhor G. Benz ao Diretor da colônia, datada de 15 de outubro de 1876. Diz: “comunico que no sábado, dia 14, às 11 horas, se deu uma invasão dos bugres, vindos da margem direita do Rio dos Cedros. Os mesmos assassinaram uma moça de 16 a 18 anos; feriram uma menina de 6 anos com pancadas na cabeça; o homem e a mulher conseguiram escapar. Quando cheguei ao local todos os colonos tinham fugido, sobrando apenas o senhor Butkzke com seu pessoal”. Os fatos se deram em Timbó. Em 1895 o ataque foi ao rancho de Gottlieb Reif, em Pombas, quando os índios mataram Carlos Klichim e Carlos Hannemann, que dormiam cansados do trabalho. Em 64 anos foram 61 ataques.

No próximo capítulo: apesar de tudo a obra continua.

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