História de Blumenau – 43

Simplicidade, honestidade e sinceridade. Era como o Dr. Blumenau se relacionava com o Governo Imperial. Essas virtudes seriam algumas das tantas que o caracterizavam e que motivavam o Imperador Pedro II a devotar-lhe tanta admiração quanto confiança. Pois no capítulo em que Fernando Ebert dirigiu-se, de certa forma atrevidamente, aos dirigentes imperiais, o Diretor da colônia tratou logo de elaborar o seu relatório. Precisava preservar a autoridade e, talvez mais que isso, não perder a coordenação de ações determinadas por um projeto que tinha começo, meio e fim. Vale dizer: um projeto delineado em cima de realidades demoradamente pensadas.
Dizia em seu relatório: “na minha informação à Delegacia de Terras, opinei, e julgo que com boa razão, que, se tal navegação era desejável e útil, contudo para o momento não era dispensável e muito mais necessário melhorar ou estabelecer as comunicações terrestres desta colônia, tanto com o litoral como com os distritos de criação de gado e produção de erva-mate acima da serra. No futuro, porém, tal vapor no próprio Itajaí será indispensável, se a imigração chegasse a mil e quinhentos ou duas mil pessoas anualmente, e mesmo atual seria de suma vantagem e até de economia para a fazenda pública estabelecê-lo desde já”.

Segue seu relatório: “mas no atual estado das finanças do país e da diminuta imigração não vejo conveniência, nem possibilidade para isto. O verdadeiro fim do peticionário Ebert foi arranjar de qualquer maneira dinheiro para livrar-se dos seus numerosos e impacientes credores”. Segundo características de personalidade e privilégios da sua formação em filosofia, Dr. Blumenau consagra-se nesta história por comportamento que não deixa dúvidas. Como diria o caboclo dos dias atuais: com ele o negócio era pão-pão, queijo-queijo. Claro que Fernando Ebert ficou contrafeito. Mas, também ele como todos os demais colonos, tinha assumido compromisso perante os estatutos da colônia.

No próximo capítulo: Em Rio do Testo, que se presume ser, hoje, o Testo Salto, é levantada a primeira capela protestante.

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Por Vilarino Wolff

Radialista, jornalista, escritor e ator (teatro e cinema). No rádio foi comentarista político e comunitário, animador de auditório, apresentador de programas, noticiarista, narrador, locutor de comerciais e cerimonialista. Como político foi eleito para vários cargos públicos em Lages e Blumenau onde reside atualmente.
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