História de Blumenau – 23

A última parte do segundo relatório dava lugar a um otimismo quase compensador das coisas negativas que Dr. Blumenau contava em quase todo ele. Narrava: “A cultura do fumo promete agora bem fundadas esperanças de grande sucesso. Os dois homens que mencionei no último relatório, com o dedicarem-se a esse trabalho e ao fabrico de charutos, colheram folhas bastantes para quarenta e cinco até cinqüenta mil charutos e estão neste momento ocupados com o fabrico dos mesmos. Principiaram, porém, muito tarde o preparo das terras e contam que no presente ano hão de colher bastantes folhas para cem mil charutos pelo menos”.

O encerramento do relatório é de grandes expectativas. “O relatório próximo futuro – escrevia ele – que hei de oferecer com o princípio do ano de 1853 e o bom andamento da minha empresa, com o qual eu julgo poder contar para o futuro, há de provar ao Governo Imperial que não poupei nem pouparei esforços para merecer a confiança com que me honrava. Colônia, 25 de junho de 1852”. É possível perceber, no geral, que as coisas não corriam tão bem quanto o Dr. Blumenau esperava ou pretendia que estivessem aos olhos das autoridades do Governo Imperial.

Para dificultar tudo, apareceram as primeiras notícias das correrias de índios pelas terras de Francisco de Oliveira, próximas ao Garcia. O fundador da colônia organizou, então, um grupo de voluntários para dar caça aos assaltantes. Por mais que tentassem, seus integrantes regressaram sem travar contato com os selvagens, de cuja presença ficaram rastros bem marcados. / Este é um pequeno registro intermediário, pelo qual fica reforçada a idéia das lutas dos imigrantes. Doenças típicas do clima em organismos não acostumados a ele, mosquitos insuportáveis, enchente e agora mais essa: índios!

Reinhold Gaertner, acompanhado de dois colonos, foi incumbido de visitar a colônia de Dona Francisca. Deviam apurar os fatos que contribuíram para desviar oito dos treze colonos que deveriam ter aportado em Blumenau. Além disso, Gaertner estudaria o sistema colocado em prática pela Sociedade de Colonização para recepcionar e instalar os colonos de Joinville. / É três de junho de 1852. Chegaram à colônia Rodolfo Keiner, com 23 anos, Guido Von Seckendorf, de 21 anos, e o professor Fernando Ostermann, com 21 anos. Todos solteiros.

No próximo capítulo: a auspiciosa chegada de Fritz Muller.

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