História de Blumenau – 31

As condições financeiras estavam de tal forma complicadas que a sorte de todos passou a depender do Imperador. Dr. Blumenau resolveu visitar a corte no início de 1859. Como desfrutava da amizade de D. Pedro II, que sempre se mostrara atencioso e protetor do projeto da colônia, tentaria fazer com que o Governo Imperial encampasse a empresa e a salvasse da ruína iminente. Já nesse tempo a produção era apreciável e poderia sensibilizar o governo para encarar a sua intenção com naturalidade. Afinal, o que havia conseguido implementar nos nove anos de desenvolvimento da colonização não poderia ser desprezado sem um estudo criterioso dos administradores do País.

Estes eram os números fornecidos pelo governo da Província em apanhado do ano. 2.500 arrobas de açúcar; 1.430 alqueires de farinha de mandioca; 27.400 mãos de milho; 101 arrobas de fumo em folha; 17.400 medidas de cachaça; 404 alqueires de feijão e 33 arrobas de café. A exportação foi calculada em treze mil e duzentos contos de réis, enquanto a importação em vinte e cinco mil contos. A infra-estrutura econômica na podia ser desprezada. Já funcionavam duas selarias, seis marcenarias, duas ferrarias, seis carpintarias, três casas de negócio de secos e molhados, duas casas de pasto, trinta e quatro engenhos de açúcar, vinte e quatro engenhos de faria de mandioca, dois moinhos de fubá, três olarias, uma cerâmica de louça de barro, uma cervejaria, duas serrarias, uma fábrica de vinagre e uma fábrica de charutos.

Ainda que o assunto seja pouco interessante para ouvir, é preciso que se dê o perfil da economia da época. Com a noção dela pode-se estabelecer o contraponto entre a situação financeira difícil do Dr. Blumenau e a pujança da colônia. Esta impressionava a quem se detivesse na análise dos números. A par das empresas já referidas, os dados do relatório do Governo da Província anotavam ainda: três pedreiros, um lancheiro, dois alfaiates, três sapateiros, um padeiro, um latoeiro, um farmacêutico, um médico, dois professores, uma parteira e um açougueiro. Duzentas e quarenta e cinco cabeças de gado, trinta e sete cavalos, setecentos e trinta e cinco suínos e mil e duzentas galinhas, era a produção animal de então.

No próximo capítulo: Qual seria a população da colônia nessa época?

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Por Vilarino Wolff

Radialista, jornalista, escritor e ator (teatro e cinema). No rádio foi comentarista político e comunitário, animador de auditório, apresentador de programas, noticiarista, narrador, locutor de comerciais e cerimonialista. Como político foi eleito para vários cargos públicos em Lages e Blumenau onde reside atualmente.
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