História de Blumenau – 32

A situação da colônia estava bastante difícil, embora o seu potencial econômico fosse dos mais significativos. Senão vejamos: a população era de novecentas e quarenta e três pessoas, das quais quinhentos e cinqüenta e três do sexo masculino e trezentas e noventa do sexo feminino. Do total de imigrantes, 64 eram católicos e 879 protestantes. Famílias já eram cento e setenta e uma, que abrigavam setecentas e dezesseis pessoas. O número de solteiros era de duzentos e vinte e sete, sem qualquer vínculo de parentesco com essas famílias. No início de 1860 a divisão por faixa etária já era bem diversificada.

Nos dez primeiros anos, desde a chegada dos dezessete imigrantes, aconteceram 143 nascimentos e 69 óbitos na colônia. Os números por faixa etária foram assim anotados: 132 eram crianças de até cinco anos; 181 estavam na faixa entre seis a quatorze anos; dos quinze aos vinte eram 80; dos vinte e um aos trinta somavam 252 e com mais de trinta anos havia 298 pessoas. Dos quatro mil imigrantes com os quais o Dr. Blumenau imaginara poder contar ao assinar termo de compromisso com o Governo Imperial, nem a metade estava ainda em Blumenau. Das estradas com que se comprometera no mesmo documento pouco mais de seis quilômetros estavam abertos, em condições de acolher o tráfego de carroças, e dez quilômetros serviam a pedestres e cavaleiros.

Talvez aí residisse o desespero do Dr. Blumenau. Havia um documento assinado perante o Governo Imperial e, apesar de todos os esforços, os números nele estimados estavam longe de ser alcançados. E o fundador era homem de cumprir a palavra. Não importava o quanto isso custasse em esforços e sacrifícios. A sua situação financeira, todavia, estava nas últimas e os resultados pouco expressivos nesse sentido. Era o que o deixava desesperado. Por isso resolveu ir ao Rio de Janeiro e, se necessário, avistar-se com o próprio Imperador para abrir o jogo e buscar uma solução alternativa. Era preciso afugentar o fantasma do insucesso.

No próximo capítulo: qual teria sido o custo moral desta decisão para o Dr. Blumenau?

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Por Vilarino Wolff

Radialista, jornalista, escritor e ator (teatro e cinema). No rádio foi comentarista político e comunitário, animador de auditório, apresentador de programas, noticiarista, narrador, locutor de comerciais e cerimonialista. Como político foi eleito para vários cargos públicos em Lages e Blumenau onde reside atualmente.
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