História de Blumenau – 33

Em sua viagem ao Rio de Janeiro Dr. Blumenau aproveitava as paradas para rever o relatório expedido pelo governo da Província. Ele era essencial para a proposta que faria ao Governo Imperial. Servia como um aval do quanto tinha para informar. Lia, relia, pensava, revia os dez anos de esforços desde que iniciou a empreitada, e a muito custo conseguia superar o sentimento de frustração que os objetivos dessa viagem lhe causavam. Se pudesse daria meia volta e movimentaria céu e terras para evitar a agonia. Mas um dos seus valores mais notáveis era o elevado senso de realidade. Sonhador, visionário, otimista e arrojado ele era. Mas não era inconseqüente.

A treze de janeiro de 1860 foi assinado o Termo de Cessão da Colônia de Blumenau ao Governo Imperial. O ato aconteceu na Repartição Geral das Terras Públicas, no Rio de Janeiro. Por esse documento o Dr. Blumenau entregava todas as terras que possuía ao longo do rio Itajaí, estimadas em vinte léguas quadradas, e todas as propriedades imóveis, inclusive os barracões de hospedagem. O governo recebia ditas terras e demais propriedades pelo preço de cento e vinte mil contos de réis, dos quais seriam deduzidos oitenta e cinco mil contos dados como adiantamento. De saldo, receberia trinta e cinco mil contos de réis.

Acompanhava o acerto financeiro entre a colônia e o Governo Imperial todos os contratos de terras feitos pelo Dr. Blumenau, reconhecidos como válidos pelo Governo, que também se comprometia a respeitar os demais contratos e convenções assinadas pelo fundador com os seus colonos antes da data de assinatura da cessão. Dr. Blumenau apresentou, ainda, conforme havia se comprometido, inventário detalhado de todos os bens imóveis da colônia, das dívidas dos colonos, dos prédios e caminhos construídos e tudo mais que pudesse representar interesse do cedente e do cessionário. O documento foi assinado pelo Conselheiro de Estado Manoel Felizardo de Souza e Mello, consagrando a aceitação do Governo Imperial à proposta do colonizador.

No próximo capítulo: qual do destino do Dr. Blumenau depois disso?

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Por Vilarino Wolff

Radialista, jornalista, escritor e ator (teatro e cinema). No rádio foi comentarista político e comunitário, animador de auditório, apresentador de programas, noticiarista, narrador, locutor de comerciais e cerimonialista. Como político foi eleito para vários cargos públicos em Lages e Blumenau onde reside atualmente.
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