História de Blumenau – 39

A colônia Blumenau não apenas se instalava na região onde hoje está o município. Seus integrantes agiam como verdadeiros desbravadores. Iam rompendo a selva e instalando-se serra acima. Expandiam-se para o oeste, transpondo os campos de Lages e de Curitibanos, até chegar às margens do Santo Antônio e do Peperiguaçu. Aí delimitaram o avanço. Para quem se lembra da História do Brasil, houve um momento em que todas as terras além de uma linha geográfica que ligava Laguna a Lages pertenciam aos espanhóis. Esse foi o limite obedecido pela colônia Blumenau.

A empreitada ia de vento em popa quando, a 25 de abril de 1861, é criado o distrito de São Pedro Apóstolo de Gaspar. Era do que se precisava: facilitar as relações dos colonos de Blumenau com o poder público. Já não precisariam ir a Itajaí ou a Porto Belo para resolver casos com a Justiça ou com a polícia. Em Gaspar, que já tinha edificada uma boa Igreja, residia o capelão da colônia, Padre Alberto Gattone. Era para lá que acorriam os colonos católicos de Blumenau no cumprimento das suas obrigações religiosas. Em uma distância de três léguas, desde a sede da colônia, formava-se verdadeira romaria nos dias ofícios católicos.

Abro pequeno parêntese para um comentário que me parece oportuno. É o contraponto dos tempos. Três léguas – distância que o historiador não especifica se era por terra ou pelo rio – equivalem a dezenove mil e oitocentos metros lineares (quase vinte quilômetros), já que uma légua mede, aproximadamente, seis mil e seiscentos metros. E todos – pais, mães, filhos e filhas, crianças de colo – que professavam a religião católica, faziam esse percurso com o mais vivo entusiasmo. Voltavam felizes da missa, depois de quase quarenta quilômetros percorridos. Hoje a missa vai à casa das pessoas através da televisão e o número de igrejas é muito maior. Será que o entusiasmo é o mesmo?

No próximo capítulo: a colônia sofre novo ataque dos índios.

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *