História de Blumenau – 53

Ao longo da história de Blumenau sempre houve quem menosprezasse a obra do seu fundador. Não raras vezes atribuíram-lhe sentimentos de anti-brasilidade. Na mesma avaliação entravam os seus colonos. Acusavam-nos de teimarem em não se adaptar aos usos e costumes e à língua do país. Era número insignificante de tais detratores, seguindo uma regra quase universal de que dez por cento de qualquer grupo social será sempre contrário ao status estabelecido. Para tal postura ideológica vale a pena o conhecimento do relatório do Dr. Blumenau a propósito da morte de von Gilsa.

Dizia o Dr. Blumenau: “o ensino na escola pública do sexo masculino foi, no mês de novembro, interrompido pelo falecimento do professor Vitor von Gilsa, não sendo o cargo até agora e de novo provido pela dificuldade de se achar um professor idôneo, que saiba ensinar em ambas as línguas, a vernácula e a alemã, aptidão esta que é indispensável neste lugar, para que o ensino seja realmente frutífero”. Esta simples afirmação, assim como a participação de sessenta e sete voluntários na Guerra do Paraguai – pessoas que não foram obrigadas a participar, mas mostraram um sentimento legítimo de defesa do solo pátrio – soma-se a outras que destroem aquelas manifestações maldosas.

O Padre Roemer, vigário da Paróquia, seguiu para a Europa, de licença. Vários meses de 1874 transcorreram sem a presença de guia espiritual para a população católica da colônia. Nesse meio tempo apareceu o padre João Maria Cibeo, jesuíta italiano, que contava com inestimáveis serviços prestados à evangelização no interior catarinense. Aqui se demorou por alguns dias, administrando os sacramentos e pregando. Outro que ajudou nesse objetivo foi o Padre Boegershausen, vigário de Joinville, que atendeu ao pedido do Dr. Blumenau e assumiu as funções de cura da paróquia.

No próximo capítulo: a construção do primeiro prédio público na colônia.

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Por Vilarino Wolff

Radialista, jornalista, escritor e ator (teatro e cinema). No rádio foi comentarista político e comunitário, animador de auditório, apresentador de programas, noticiarista, narrador, locutor de comerciais e cerimonialista. Como político foi eleito para vários cargos públicos em Lages e Blumenau onde reside atualmente.
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