História – Os registros de Pituca

Casa da Memória recebe o rico acervo do ator 

[Por DENISE RIBEIRO, Diário Catarinense, 13/04/06]

Depois de 10 anos confinado em uma caixa aos cuidados de Maria da Graça Jacintho Andrade, na Capital, o arquivo pessoal do comediante catarinense Mozart Regis, o Pituca, passa agora por um processo de limpeza e catalogação. Em breve estará disponível para consulta pública na Casa da Memória de Florianópolis.

O material que registra grande parte da carreira do artista, iniciada na década de 40, foi localizado a partir da pesquisa permanente do Instituto Caros Ouvintes, dedicada ao resgate da história e personagens do rádio catarinense, e doado à Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes há cerca de 15 dias.

São cartazes de espetáculos e filmes, panfletos, roteiros de programas para a televisão, troféus, um traje e acessórios, quadros e um grande álbum com fotos e recortes de jornal a partir dos quais é possível reconstituir com detalhes a trajetória do artista nascido na Capital catarinense em 16 de maio de 1926 e que aos 20 anos partiu em sua primeira turnê teatral com a companhia comandada por um dos principais divulgadores do teatro nacional, Procópio Ferreira. Entre as peças do acervo está uma foto datada de 1946 em que Ferreira deixou uma dedicatória ao iniciante: “Ao Mozart Regis, com os meus votos de um brilhante futuro. Com um abraço, Procópio.”


Mozart Regis, o Pituca, caracterizado como mendigo, um dos muitos papéis que
interpretou ao longo de sua carreira.
 Foto(s): Roberto Scola, reprodução/DC

A carreira de artista começou quatro anos antes, segundo o currículo assinado por Regis, na empresa de alto-falantes Sociedade Rádio Guarujá, em Florianópolis. A estréia na Cia. Procópio Ferreira aconteceu na cidade de Lages, em 1946. Regis seguiu com a companhia para Porto Alegre e interior do Rio Grande do Su. Mas só em 1948 ele iria a São Paulo para trabalhar com Procópio. Em turnê no Rio de Janeiro, ele participou da peça O Divórcio, que marcou a estréia de Bibi Ferreira, filha de Procópio.


Ao lado de Grande Otello, com os colegas da companhia no Rio de Janeiro
 Foto(s): Roberto Scola, reprodução/DC

De volta a Florianópolis em 1950, ele passou a apresentar programas infantis aos domingos, e os programas O Mundo é uma Bola e Pitucadas (de variedades e prêmios). Ainda em sua terra natal, Pituca promoveu em 1951 e 1952 peças infantis no Teatro Álvaro de Carvalho. Em abril de 1953, de volta ao Rio de Janeiro, Pituca começou a consolidar sua carreira de ator, contracenando com atrizes já renomadas como Virginia Lane e Renata Fronzi. A popularidade conquistada nos palcos, colocaria Pituca mais uma vez diante dos microfones do rádio, dessa vez na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, e o levaria a se aventura por um novo veículo, a televisão, na TV Tupi e TV Rio – Canal 13. Em 1966, o catarinense passou a trabalhar na TV Globo, onde atuou como intérprete e produtor de programas humorísticos até sua morte, em 23 de julho de 1995.
Material foi descoberto por acaso durante uma pesquisa
De acordo com o filho do humorista, Alexandre Regis, Pituca sempre conservou todo os registros desde o início da carreira. Ele conta que logo após a morte do ator, Maria da Graça Jacintho Andrade entrou em contato com a família solicitando o envio do acervo a Florianópolis, a fim de disponibilizá-lo em espaço para a preservação da memória do artista, o que acabou não se concretizando. Passaram-se 10 anos até que, recentemente, o superintendente do Instituto Caros Ouvintes, Antunes Severo, localizou o material durante pesquisa sobre o rádio, passando a intermediar a doação.
– O que mais me surpreendeu é que até agora ela não havia nem aberto a caixa – comenta Alexandre Regis.
A reportagem tentou contato com Maria da Graça mas esta não deu retorno. Para o filho de Pituca, a conservação do arquivo do pai pela Casa da Memória é uma forma de a cidade homenagear o filho que gostava de divulgar sua terra. Em seu currículo, Mozart Regis escreveu que “nascer em Florianópolis é uma benção de Deus”.
– No Rio isso não aconteceu, ele viveu para a Rede Globo e não teve nem uma nota de rodapé nos classificados comunicando sua morte. Até hoje encontro gente na rua que me pergunta como vai meu pai – diz Alexandre.
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