Historiadores gaúchos lançam livro “Segunda Legalidade”

Luciano Klöckner, Luciano Aronne Abreu e Charles Monteiro são os organizadores de Segunda Legalidade – Registros Históricos e Jornalísticos, lançado pela Edipucrs e Evangraf, de Porto Alegre, em 2014.

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No livro, os organizadores tratam da chamada Segunda Cadeia da Legalidade, ocorrida entre os dias 1º e 3 de abril de 1964 que completou 50 anos em 2014.

livro-Segunda-legalidade-capaA obra está estruturada em dois prefácios, cinco textos e anexos com notícias publicadas nos jornais e DVD com depoimentos em áudio e vídeo dos autores: Jorge Ferreira, Dione Khun, Luciano Arrone de Abreu, Charles Monteiro e Daniel Reis, Luciano Klöckner e Francielly Brites.

Na apresentação, autores e organizadores lembram que “No entanto, talvez por não haver reprisado o êxito da primeira (Cadeia da Legalidade), seus registros são ainda hoje muito esparsos em nossa história política, de um modo geral, e do rádio brasileiro, em particular. Nesse sentido, com o objetivo de resgatar e preservar a história e a memória dos seus acontecimentos e personagens, especialmente em relação aqueles ocorridos ou associados mais diretamente ao Rio Grande do Sul, as Faculdades de História e de Comunicação Social da PUCRS desenvolveram, os anos de 2011 e 2013, um projeto conjunto de pesquisa com fontes impressas e orais”.

E seguem: “No primeiro caso, foram consultados os jornais Correio do Povo, Diário de Notícias, Última Hora e Folha da Tarde, de Porto Alegre. No segundo, foram entrevistados alguns dos personagens e líderes da Segunda Cadeia da Legalidade, cujos depoimentos são transcritos na segunda parte desse livro, dentre os quais se incluem: Álvaro Petracco da Cunha, vice-presidente do Diretório Estadual do PTB/RS e deputado estadual cassado em 1966; André Machado, filho de Dilamar Machado, idealizador da Segunda Cadeia a Legalidade; Celso Costa, operador técnico encarregada da Primeira Cadeia da Legalidade; Denise Goulart, filha do ex-presidente João Goulart; Flávio Tavares, jornalista e escritor, preso político do regime de 1964; Holmes Aquino, operador técnico de rádio na Primeira Cadeia da Legalidade; João Batista Filho, jornalista e atual presidente da Associação Rio-grandense de Imprensa; Jerônimo Santos Braga, oficial da Brigada Militar; Lauro Hagemann, locutor oficial da Primeira Cadeia da Legalidade; Maria Thereza Goulart, viúva do ex-presidente João Goulart; Marino Boeira, participante da Primeira Cadeia da Legalidade; Sereno Chaise, prefeito de Porto Alegre, caçado em 1964; Sérgio Stosch, funcionário da Rádio Difusora (Portoalegrense) e testemunha dos acontecimentos de 1964; Vladimir Dias, ouvinte da Rádio Difusora e testemunha dos acontecimentos de 1964; Tais entrevistas, cabe-se aqui destacar, foram realizadas por meio de técnica de entrevista (com pautas definidas)”.

Alertam ainda os autores e organizadores: “Convém ressaltar que estas são apenas algumas dentre muitas outras fontes que ainda permanecem inéditas a respeito desses episódios ocorridos às vésperas do golpe militar de 1964. Nesse sentido, deve-se observar ainda que algumas das questões que pautaram essa pesquisa continuam a exigir maior aprofundamento e novos estudos para serem melhor compreendidas, como, por exemplo: que outros personagens envolvidos na Segunda Cadeia da Legalidade ainda podem ser entrevistados? Onde estão os documentos impressos e em áudio sobre o ocorrido, como as fitas da Rádio Difusora confiscadas pelas autoridades? Quais serem os principais significados desses acontecimentos para o radiojornalismo brasileiro e para o jogo político regional e nacional em princípios da década de 1960? Ainda assim, apesar de seus estreitos limites, acredita-se que os estudos ora publicados e as fontes aqui reveladas possam contribuir para uma melhor compreensão dos acontecimentos desse período, que está sendo a cada dia recontado e acrescido de novos pontos de vista de jornalistas e historiadores à medida que novas fontes são reveladas e que estes avançam em seus trabalho. Em seu sentido geral, portanto, pode-se dizer que a presente pesquisa caracterizou-se por seu caráter exploratório, de resgate, conservação e divulgação de fontes documentais inéditas sobre a Segunda Cadeia da Legalidade”.

“Por fim, vale ainda destacar que a obra Segunda Legalidade: registros históricos e jornalísticos está dividida em duas partes: a primeira inclui textos narrativos e interpretativos sobre os episódios das duas campanhas da Legalidade no Rio Grande do Sul; a segunda reproduz matérias dos principais jornais de Porto Alegre sobre a Segunda Cadeia da Legalidade e os depoimentos realizados por personagens acima citados, entre outros, sobre esse mesmo episódio”.

O livro pode ser comprado pela internet na Livraria Café com Lei.

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