Histórias de Encantado

O Imperioso Desejo do Senhor Jesus dos Passos
Ainda que tu não acredites nessas histórias de encantado, eu vou te ser sincera: pior que é! Pois se até o Senhor dos Passos que tava indo pro Rio Grande se encantou de morar aqui e, no que inventaram de fazer uma parada pra abastecer o navio, se valeu da ventania como desculpa? Dizem os antigos que, cada vez que o navio se preparava para sair, Ele assoprava uma ventania tão forte, mas tão forte, que o navio não conseguia passar da barra e tinha que voltar pra trás. Foi assim por três vezes até que o povo da aldeia entendeu: Nosso Senhor queria é fincar morada por aqui. E assim foi: – Seja feita a Vossa vontade!
A recém teve aquele incêndio do Hospital de Caridade; pois não é que o fogo começou exatamente ao lado da Capela e atingiu o prédio pela parte de trás e foi queimando tudo e rodeou direitinho o altar de madeira onde estava o Senhor dos Passos sem queimar nem o altar nem a imagem do Santo? Essa ninguém me contou, nega, essa eu vi, com  meus próprios olhos. Agora explica!
Soube, pelo meu pai, que o vô Manoel, pai dele, que morava no sopé da ladeira do Hospital de Caridade, pertencia à Irmandade do Senhor dos Passos e, sendo um marceneiro de mão cheia, meu avô era o restaurador dos altares das antigas igrejas da Ilha, a Igreja de São Francisco, a Igreja do Rosário. Segundo meu pai, por volta de 1945, meu avô foi encarregado de fazer uma nova cruz para o Senhor dos Passos, pois algo acontecera com a original. Segundo ele, é essa cruz que está lá, até hoje, nos ombros do Filho de Deus. Fiquei orgulhosa!

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Por Norma Bruno

Natural de Florianópolis/SC. É graduada em História, pesquisadora, cronista e escritora, autora dos livros A Minha Aldeia e Cenas Urbanas e outras nem tanto. Colecionadora de rendas de bilro e revistas antigas. Filha do radialista e técnico em eletrônica Lourival Bruno, gosta de ouvir rádio desde pequeninha.
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