Histórias dos Jasc

Roberto Alves *

Banco de dados/DC

Criada em 1960 por Arthur Schlösser, em Brusque, a maior competição poliesportiva de Santa Catarina já produziu campeões e atletas olímpicos e confraternizou o Estado esportivamente. Reuniu nomes famosos, teve o mérito de unir a imprensa esportiva e proporcionou histórias que jamais serão esquecidas. Na foto, a competição de atletismo dos primeiros Jogos Abertos de SC.

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O pássaro (1)

Murilo Barreto (à esquerda na foto ao lado) era correto em tudo o que fazia e jamais admitiria que alguém ferisse sequer um passarinho perto dele. Murilo era árbitro de natação, entre outras modalidades. Quando o árbitro gritava “Aos seus lugares”, os atletas assumiam a posição de salto na piscina. Em seguida vinha o tiro de espoleta ou algo parecido para a largada da prova.

O pássaro (2)

Em Florianópolis, durante uma edição dos Jasc, na piscina do Lira Tênis Clube, um gaiato manezinho jogou um passarinho morto na piscina após o tiro de largada. Prova suspensa, e Murilo acreditou que seu tiro de largada tinha matado o pássaro em pleno voo. Religioso, homem de fé, custou a se reabilitar do ocorrido e demorou para a competição na natação continuar.

Rápidas

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– Em Joaçaba, Florianópolis perdeu o atletismo no revezamento 4x100m. Uma menina magrinha decidiu a prova. Foram descobrir que ela era do Ribeirão da Ilha e não haviam dado a ela uma vaga na equipe de Floripa.

– Em Chapecó, em 1991 (foto), foi realizado, na minha visão, o melhor dos Jogos Abertos até hoje.

– O mais bonito cerimonial de abertura foi feito em Joinville, em 1986, no Ernestão, em meio a chuva, relâmpago e trovoada. Foi lindo!

– Em Florianópolis, a abertura dos Jasc de 1994, no gramado do Orlando Scarpelli e em meio a forte vento sul, quase não permitiu que a soprano Ruth Gebler terminasse o Hino Nacional.

A melhor

Transmissão inesquecível foi a de Rodolfo Sestrem na chegada do ciclismo na praça lotada de Concórdia, com retransmissão por um alto-falante. Sem saber que estava sendo retransmitido na praça, o alemão deixou escapar: “Orra, meu! Uma transmissão dessas e esses manezinhos da Ilha tinham que ganhar?”.

Espetacular

Valdemiro Grundmann, narrador da região do Vale do Itajaí, transmitiu todas as modalidades nos Jasc. Tinha uma frase genial na bocha. Dizia: “Pedrão vai arremessar. Atirou. Lá vai ela. Pode encostar na bolinha-mestre. Atenção, se aproxima… Acasalou!”. Era quando a bola encostava e ficava juntinha ao ponto.

Histórico

O mesmo Valdemiro, no desejo de transmitir algo diferente, e embora não fizesse parte dos Jasc, foi no meio de semana a uma corrida de cavalo perto de Rio do Sul. Pediu linha de transmissão, alugou uma mula, subiu nela e largou junto com os competidores. Ganhou a prova!

Remo

Sensacional foi quando Florianópolis percebeu que não seria realizada a modalidade de remo por falta de inscrições dos municípios. Era um troféu a menos para a Capital. Então, selecionaram os atletas, dividiram e inscreveram por outros municípios. Não perceberam que Florianópolis ficou sem os melhores. Ganhou o município de José Boiteaux, que nunca teve remo na sua história.

Hípica

Transmiti pela TV quase todas as modalidades. A mais sensacional foi nos 25 anos dos Jasc. Vôlei feminino, Brusque x Blumenau, às 20h30min. Às 16h, o Ginásio do Bandeirante já estava lotado. Brusque quebrou a hegemonia de Blumenau, que tinha Valmor Buss como técnico e sua mulher na quadra.

O jogo durou quase cinco horas.

O pior

Em 1988, uma vitória na ginástica rítmica daria o título à Capital, que contratou uma equipe de Santa Maria (RS). Convidei Lourival Beckauser, poderoso de Blumenau, para comentar a ginástica na TV. Quando viu Florianópolis, ficou louco; desceu e não retornou. No final, uma juíza de Joinville tirou um ponto da Capital, de uma nota que já havia sido dada, e o resultado foi alterado. Beckauser era da Federação de Ginástica, e sua mulher, técnica do time de Blumenau.

Eu e ele

Rozendo Lima era fantástico. Florianópolis estreou no futsal em Concórdia, com transmissão ao vivo da TV Cultura, e levou 8 a 3 de Canoinhas.

Depois do jogo, eu disse:

– Caro, não vim aqui pra tomar oito na estreia.

Ele respondeu:

– Vamos ser campeões.

Não falei mais com ele. Na final, Floripa foi campeã e o time inteiro subiu na cabine e jogou as camisas em cima de mim.

* Esportes | DC | 11 de novembro de 2012 | N° 9720

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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