Homenagem a Salim Miguel: pelo 1º de abril e muito mais

No começo  de 2003, na solenidade de posse do atual  CEC – Conselho Estadual da Cultura, o Governador Luis Henrique da Silveira fez uma pausa em sua fala quando percebeu a presença de Salim  Miguel. E prestou-lhe, de improviso,  uma comovente homenagem, relembrando, inclusive, o incêndio da Livraria Anita Garibaldi, em 1964, que pertencera ao escritor. Hoje, a alguns dias de um novo 1º. de abril,  relendo  seu livro Primeiro de Abril, lembrei-me desse episódio e decidi prestar ao ilustre catarinense esta singela homenagem.
Por Chico Socorro

Como observa o  intelectual Moacir Werneck de Castro no acurado texto que está na orelha do livro  Primeiro de Abril, publicado em 1994, Salim Miguel levou 30 anos para  revelar aos leitores os 48 dias que passou numa  prisão militar em Florianópolis.  Usando uma técnica própria de linguagem em que o autor se coloca como que se fosse uma outra pessoa, Salim Miguel produziu cerca 110 páginas pungentes.
Um  relato do que significou,  para muitos brasileiros “suspeitos”, a ação de repressão dos que logo aderiram aos vitoriosos do Golpe Militar de 1964.  O seu livro é comparado, por Werneck de Castro, ao famoso Memórias do Cárcere, do Mestre Graciliano Ramos.  O livro Primeiro de Abril é um retrato produzido com bases nas anotações feitas na prisão mas com tratamento ficcional dos dias sombrios  da Ditadura Militar instaurada em nosso País em abril de  1964 e que se estendeu até 1985.


O autor diz: “Tudo que escrevo se baseia em algo que presenciei”.

Não é o  objetivo destes breves comentários, até pelo limite de espaço,  fornecer aqui os dados  biográficos completos de Salim Miguel. Mas considerando que o ilustre catarinense pertence à Galeria dos Maiores Nomes da Cultura Catarinense, é preciso registrar alguns marcos de sua vida – até para que a nova geração o conheça um pouco:
– Salim Miguel nasceu em Kfarsouroun, Líbano, em 30 de janeiro de 1924, filho de José Miguel e Tamina  Athye Miguel
– Chegou ao Brasil com sua família em maio de 1927 e foi residir em  São Pedro de Alcântara, SC.
– No início da década de 30, sua família mudou-se para Biguaçu
– Mais tarde, em 1943, ele, com a família, muda-se para Florianópolis
– Em 1947, com outros jovens, criou o movimento cultural Círculo de Arte Moderna, embrião do mitológico Grupo Sul que propôs uma nova visão para as artes plásticas, música,  teatro e cinema.
– Tornou-se jornalista profissional (começou no jornal O Estado) – trabalhou no Correio do Povo (RS), Jornal do Brasil (RJ) e nas  principais revistas da época, como Manchete, Fatos & Fotos e Tendência).
– Em 1964, quando foi preso, chefiava o escritório da Agência Nacional de Notícias e trabalhava na Assessoria de Imprensa do Governo de SC
– Salim Miguel é um dos criadores do Prêmio de Literatura Cruz e Sousa.
– Sua obra literária  compreende 20  livros publicados, entre contos e romances.
– Ajudou a   organizar a publicação de várias contribuições literárias, coletâneas e antologias.
– No cinema, foi responsável pelo argumento e roteiro do primeiro longa-metragem catarinense – trabalho  realizado com
Eglê Malheiros, sua companheira de vida até os dias de hoje.  Vários outros filmes e documentários tem a sua digital.
– Salim Miguel conquistou inúmeros prêmios. Inclusive a Medalha Cruz e Sousa em 1999. Destacamos aquele que talvez tenha sido o mais importante: O Prêmio Juca Pato 2001, atribuído pela União Brasileira de Escritores ao Intelectual do Ano
 
Aos 81 anos, Salim Miguel continua ativo e produzindo.
Primeiro de Abril já está distante mas o seu livro permanece vivo na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de lê-lo.    
Parabéns Salim Miguel!


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