Homenagem a Sayão Lobato, o repórter da Rádio Itaí que deu uma canseira no Pelé

Peço licença para o meu companheiro de site Luiz Artur Ferraretto para adentrar na sua seara que é a história da liderança  da Rádio Itaí AM  no período de 1966 a 1975. E relatar um  episódio emblemático de 1969 envolvendo o repórter Sayão Lobato e o nosso atleta do século. Sayão, em 1969, trabalhava na Itaí AM sob a direção de Lorenzo Gabellini, responsável pela liderança da Itaí AM naquela época.
Por Chico Socorro

Comecemos pelo ítalo-brasileiro Lorenzo Gabellini, nascido na cidade do Vaticano, e que, no Brasil, a partir de 1952, ano de fundação da Rádio Itaí, produzia e comandava um programa  em italiano centrado em músicas e notícias.
Em 1965 Gabellini recebe dos proprietários da Rádio a  missão de repensar a programação, constituída, na ocasião, basicamente, de música sertaneja e gauchesca.

A primeira  atitude de Gabellini, um misto de publicitário e marketeiro precoce, foi fazer uma pesquisa para descobrir o que o público queria ouvir. É aqui que começa o “pulo do Gato”: a pesquisa revela que uma parcela da população, formada pelas classes C, D e E estava sem opção de entretenimento e serviço de utilidade pública nas outras rádios.
É esse nicho de mercado que a Itaí se propõe a atender com uma programação centrada em música (só sucessos comprovados) e  prestação de serviços. O programa Bolsa de empregos, por exemplo, agradou em cheio.

Outro exemplo de sucesso: o programa Aconteceu, de entretenimento, centrado  no relato de crimes reais (precursor do programa Linha Direta da Rede Globo).
 
Outros assuntos, como, por exemplo, a cobertura do turfe, para quem não gostava de futebol, complementavam a programação.
Começa assim um “case” de sucesso na área de radiodifusão no Rio Grande do Sul: a criação de uma rádio realmente segmentada, popular. Mas de Qualidade.
 
Mas, vamos finalmente falar do tema do nosso artigo de hoje, a interatividade, a participação ativa do ouvinte de rádio. Onde entra o homenageado Sayão Lobato.
Sayão Lobato: pioneiro da interatividade do Rádio no Rio Grande do Sul
Para demonstrar a intuição aguçada de Sayão Lobato e a sua determinação profissional em busca do que os ouvintes gostariam de ouvir, vamos  transcrever alguns trechos de matéria não assinada publicada na revista Press Advertising, edição 105 (julho de 2006).  Peço a paciência do Caro Ouvinte para ler até o fim. Acho que vai valer a pena!

“Domingo, 6 de abril de 1969, bairro Tristeza, Porto Alegre. Um homem magérrimo aproxima-se da seleção brasileira pelo Guaíba. Caminhando. Água batendo no peito. O massagista Luiz Américo vê aquele jovem com um gravador na mão, já pisando as areias da praia, e vai executar a sua função de segurança e diz que não pode fazer entrevista, pedindo a Sayão que se retire”.
Mas o jovem de gravador é Sayão Lobato, um repórter de uma rádio pequena, cujo único esporte que transmite é o turfe, de boa conversa: “Pô, eu estou começando no rádio, tenho três filhos, moro numa pensão, é o jeito de me afirmar na rádio, não quero falar de futebol. Quero que o Pelé peça uma música…. Sayão fala e caminha. Pelé, já a uns 10 metros de distância se solidariza:” Deixa, eu peço uma música para o guri”. O pedido foi uma música do cantor Moacir Franco. Sayão avança: me dá uma camiseta para fazer uma promoção com os ouvintes?  Uma hora depois, ele saia da concentração, da mesma maneira que entrou, com pedidos musicais de todos os jogadores e mais a promessa de duas camisetas.
Voltou para a rádio, falou com o gerente Lorenzo Gabellini, apresentou a proposta: “Que tal a gente botar os jogadores da seleção pedindo musica, uma a cada hora? Gabellini riu. A seleção estava brigada com a imprensa, as entrevistas estavam proibidas e era impossível entrar na colônia de férias do Banrisul na Tristeza, onde os jogadores estavam concentrados.  Está tudo aqui, respondeu Sayão, com o gravador na mão”.
E foi assim que na segunda feira, dia 7 de abril de 1969, a Itaí passou o dia tocando os sucessos pedidos pelos jogadores da seleção…”“.
À noite desse mesmo dia, Sayão Lobato estava no Beira-Rio, na inauguração dos refletores no jogo da seleção brasileira contra a seleção do Peru. Mal termina o jogo e ele corre para pedir a prometida camiseta a Pelé. Mas o rei responde: “Não tem camiseta e vai para o vestiário. Sayão vai atrás temendo que Pelé tenha esquecido da promessa. Faz nova abordagem, Pelé olha pra ele e diz: ”não te reconheci no campo. Está aqui a camisa, disse para os outros que não ia dar porque estava te esperando “.
Pois é, Sayão Lobato, com a benção de Lorenzo Gabellini,  tinha o faro que distingue o profissional fora de série. Aquele que não desiste nunca. Sayão acabou abrindo um caminho novo para a sua rádio Itaí e para o rádio gaúcho em geral: a Interatividade.
Uma característica que, com o avanço continuo das tecnologias de captação e distribuição de áudio, deverá valorizar ainda mais o rádio do futuro. Ao Sayão Lobato, portanto, a justa homenagem daqueles que amam o Rádio.
Lembrete: para aqueles que desejam conhecer em profundidade essa história extraordinária da Rádio Itaí, recomendo a leitura do artigo Os 54 anos da Itaí AM, pioneira do rádio povão no Rio Grande do Sul, de autoria de Luiz Artur Ferraretto.

Link Relacionado:

:: Os 54 anos da Itaí AM, pioneira do rádio povão no Rio Grande do Sul


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