Homero Buzzi: self made man

A tarefa desafiadora de publicar o depoimento do personagem vinha de longe e de muitos contatos.  Quase todos batendo na trave. Porém, como “não há bem que sempre dure e nem mal que não tenha fim”, aqui está a matéria.

IMG_2007Finalmente Homero Buzzi remete-nos uma participação. É jornalista profissional, publicitário e RP, editor, redator, repórter, revisor, cronista, marqueteiro, fotógrafo, câmera, roteirista, iluminador, gráfico, arte-finalista, cartazista, taquígrafo, diagramador, programador visual, pauteiro, crooner, narrador, apresentador e chefe de protocolo, tendo atuado em rádios, jornais, tevês, agências fotográficas, agências de publicidade e assessorias, inclusive no serviço público. Reside pela terceira vez em Rio do Sul/SC. Eis o texto:

Atendendo à solicitação irrecusável de Antunes Severo, remeto estas mal tecladas linhas para Caros Ouvintes com satisfação.

Para escrever sobre rádio, lembro que inicialmente ouvia a Clube de Indaial. Nela, meu pai, o professor Gelindo, fundador e diretor de escolas, mantinha um programa político aos sábados. Indo a Joinville, conheci Fausto Rocha Júnior, que brilhou na peça Oh! Calcutá e nas telas de TV, e o amigo Wilson França. Ouvia, via e falava com Jota Gonçalves – nosso vizinho em Joinville e em Itajuba, Charles Weber – meu tio avô materno, Ramiro Gregório da Silva, Ismael Pieper, Marco Antônio Peixer e José Eli Francisco fizeram parte dos meus fãs. Encontrei Kennedy Nunes no dia em que ele chegou à Manchester Catarinense.

Nas emissoras nacionais ouvia principalmente a Bandeirantes de São Paulo. Nas suas ondas brilhavam ‘O Trabuco’ de Vicente Leporace e Zé Bétio arrancava lágrimas e suspiros das domésticas. Depois, Hélio Ribeiro, ainda na Bandeirantes, abafava traduzindo livre e aleatoriamente canções em inglês, citando a ouvinte mítica, a moça do Karmann-Ghia vermelho. Mamãe e eu compramos Karmann-Ghias. O Jornal da Globo, em São Paulo era apresentado por Luiz Jatobá. À noitinha, na Mundial do Rio de Janeiro era a vez do Big Boy – um dos primeiros e mais importantes Disc-Jóqueis do Brasil – anunciava o seu Baile da Pesada, enquanto em Joinville, a festa era no Floresta, com The Players, e na Liga, com Os Dinâmicos. Via, na tevê, as séries Bonanza, Inferno nos Céus, Ratos do Deserto, Os Intocáveis e Rota 66. Joinville recebia sinais das tevês Paraná e Paranaense de Curitiba. Mas não foi nem por rádio nem por tevê que me senti atraído, não. Foi por jornal mesmo.

IMG_8666Aos 14 anos eu já era professor de datilografia. Enquanto cursei o Científico, no Colégio Santo Antônio de Blumenau, com três colegas, Sardá, Hélen, e Dino, contei com o apoio e incentivo do professor de Português Alfredo Scotini – que por longo tempo me permitiu ser colaborador do Jornal de Santa Catarina. Fui dublê de revisor no SANTA, que funcionava na Rua São Paulo, em prédio que antes abrigou chapelaria, que era como chamávamos carinhosamente o periódico, hoje em sede apropriada na Rua Bahia.

Terminado o Segundo Grau fui para São Paulo com o objetivo de cursar Comunicação Social com graduação em Jornalismo, Publicidade e Propaganda, e Relações Públicas. Lá, estreitei amizade com dois conterrâneos timboenses, alunos de meus pais, os poetas Lindolf Bell e Péricles Prade. Morei na Rua Augusta. Em cima d’O Candieiro, onde conheci Silvio Santos, Chacrinha e outros famosos que frequentavam o restaurante que diariamente abria com shows espetaculares.

Além de aulas, frequentei La Cave, La Licorne, Oásis, Urso Branco, Mônaco, Ferro’s, Stardust e Igrejinha. Também fui frequentador dos cines Belas Artes e Metrópole e os teatros Oficina e Augusta. O primeiro show internacional que vi foi Million Dollar’s Baby, com Alice Cooper no Ibirapuera. O estágio em Televisão foi na TV Gazeta, na Avenida Paulista. Via o Vladimir Herzog lá. Final dos anos de chumbo, alunos d’Objetivo, Cásper Libero, Anhembi, Mackenzie, Faap, Puc e USP, ficávamos com clicas e rolhas nos bolsos, cercados nos campi por cavalarianos da PE, a Polícia do Exército, até entregarmos o presidente do Diretório Acadêmico. Rápido, destituíamos a diretoria e elegíamos presidente um filho de coronel, de policial ou do figurão de plantão, e enganávamos o que chamávamos de ‘O Sistema’. Dedos duros e ‘X Noves’ eram revelados todo semestre em minha turma. Tínhamos dez e até doze créditos por semestre, laboratórios e estágios em tevê, rádio, jornal, agência de propaganda, cinema e teatro.

IMG_8402Em Cinema, fizemos curtas-metragens. Cadu Moliterno, colega de turma, estrelou ‘O Calouro’, e eu produzi ‘O Besouro’, prêmio de melhor produção no IIIº Festival Nacional de Cinema de Londrina. Entre tantos créditos tínhamos Ética, a matéria, e Ética, a moral; Religião, História dos Meios de Comunicação, Mídia, Propaganda, Publicidade, Marketing, Relações Públicas, Sociologia, Psicologia I, II, III, IV, e V, e daí brincávamos dizendo que poderíamos, perfeitamente, nos tornar psicólogos. Era só fazer mais quatro semestres. Uns fizeram.

Tive aulas magnas de Antropologia com Darci Ribeiro, e de Política com Roberto Srour – que ajudou a implantar Jornalismo na UFSC, entre outros grandes mestres. Em Rádio, o estágio foi na Bandeirantes, e inauguramos programas de madrugada, que viraram moda, vide Pretinho Básico entre outros. E era com dois Luíses, o Pellegrino e o ‘Carirí’ – que, advogado, obteve indenização por passar uma década no Carandiru como preso político.

Em Teatro, reensaiamos a peça É Proibido Proibir, vetada na estréia. Em Antropologia vivi duas férias con os Kaingangs, em Mangueirinha.

Orador da turma, no discurso de formatura preguei a humanização da mídia. Houve, sim, mas a humanização dos cães, por força do mercado pet de R$ 18 bi/ano. Mantive um canil, na Subida, durante 20 anos, enquanto o boxer foi moda.

Formado, vim voltando. Em Curitiba, trabalhei no extinto Correio da Manhã, com Rafael Grecca e esposa, a colunista social Marguerita Sansone. Passei estágios rápidos na TV Iguaçú Canal 4, do Oscar Martinez, e na Gazeta do Paraná. Conheci ‘seo’ Mário Petrelli, da RIC, através de sua filha Luciana, que, depois, em 1985, reencontrei em Rio do Sul, pois quando o Diário Catarinense começou atuei na sucursal da RBS no Alto Vale. E

Aí conheci o Derli Massaud da Anunciação, que, depois, em 2003, reencontrei na Secom, Secretaria de Comunicação do Governo do Estado. Lembro-me do secretário de Comunicação do Estado, Jair Hammes, e até hoje não há jornalistas efetivos do Estado, somos todos comissionados, como convém a profissionais liberais e cabos eleitorais. No governo Paulo Afonso, João Matos levou-me à Fesporte. Durante os JASC, com Polidoro Júnior no ‘chiqueirinho’ da Comissão Organizadora, perdia 14 quilos em 10 dias assessorando e assistindo até 180 profissionais de meia centena de meios de comunicação, obtendo capas coloridas todos os dias nos diários em que já tinha atuado – SANTA, NA e DC, fechando o boletim informativo diário de mais de cem páginas com 34 modalidades em ambos os naipes com o ‘portuga’ Jota Cassapo, e o ‘russo’ Ademar Podgaietzky, que reencontrei em 2003 na SDR de Rio do Sul.

De Curitiba desci a Joinville, onde mamãe dirigia o Colégio Celso Ramos e lecionava nos Santos Anjos e no Elias Moreira. Em 1979 baixou-se Lei dando provisionamento a quem atuava em rádio, tevê e jornal desde 1972. Senti-me enganado. Preparei-me cinco anos para ser jornalista, publicitário e relações públicas, no entanto qualquer um que atuasse desde quando fui estudar recebia o mesmo status. Os provisionados, geralmente vindos de rádio, até tinham alguma experiência técnica, mas não a formação científica, digamos, o cientificismo, o aprimoramento, mesmo técnico, dos formados em bons cursos. E a celeuma entre profissionais e provisionados se estendeu desde então. Claro que o inverso existe. Formandos despreparados pro ofício.

Cheguei a lecionar em faculdades de Jornalismo em que os alunos nem a Bíblia tinham lido, não sabiam de McLuhan, não entendiam que o meio é a mensagem, e jamais ouviram rádio. Com a desregulamentação profissional só grandes grupos contratam os melhores profissionais. A Jovem Pan-americana foi das primeiras a ter departamento de jornalistas e programação ao vivo da rua. A sensação de então, as FMs, se encheram de imitadores do sotaque carioquês, mesmo que nascidos na Tifa Kröenkell, fundos do Kollbach, e falando “plate” até a alfabetização tardia no ensino fundamental. Amigos cariocas como o Zé Gayoso, riem comigo disto.

Trabalhei n’A Notícia, que mudava-se da Abdon Baptista pra Rua Caçador, transformando-se ‘de tipos de chumbo’ em off set. Conheci o ex-oficial português na Guerra de Independência de Moçambique, Frederico Ancede, que, com outro português, fechou contratos com as fábricas, montadoras e concessionárias de automóveis pra edição inaugural offset d’Anotícia; e Luis Meneghim, entre outros. Já conhecia Apolinário Ternes de peças teatrais que apresentou no Harmonia Lyra. Moacir Tomazi – então dono d’AN, conheci quando veio para Joinville, professor. Depois, vizinhos de praia – eu em Itajuba – dos Bornschein, ele no Grant – dos Fallgater. José Gayoso é meu amigo desde antes disto. N’A Notícia trabalhei várias vezes e lá também rodei jornais mensais que redigia e editava, como, por exemplo, da Federação dos Diretores Lojistas, Informativo Cravil, A Tribuna, e A Folha do Alto Vale.

Vim voltando. Em Blumenau, trabalhei no SANTA, com os Zés, o Rodrigues na redação, e o Tolardo na diagramação, fotógrafos Jandir Nascimento e Artur Moser, e arquivo fotográfico Josézinho Weber, e o amigo Luiz Antônio Soares, o primeiro jornalista de Santa Catarina a ganhar o reconhecido Prêmio Esso de Jornalismo. Revezando com Luis Mund na revista PRESENÇA, do colunista social Carlinhos Muller, assistia à produção de alguns programas na TV Coligadas, pra onde fui a convite de Maria Odete Olsen, apresentadora, editora e chefe de Jornalismo, quando então conheci Antunes Severo, diretor da TV, e também o Beto Espercot e o Rochinha – que ainda estão lá na RBSTV Blumenau.

Repórter, eu cobria o Vale do Itajaí em pautas variadas. A equipe compunha-se de repórter, câmera e motorista – que fazia às vezes de iluminador. O da minha equipe foi Edinho Prateat. Quando a tevê passou aos Sirotsky, corríamos num velho VW Brasília descartado da Zero Hora de Porto Alegre.

O melhor era cobrir o carnaval na Fazenda e no Almirante Barroso, em Itajaí. Certa vez fomos cumprir pauta múltipla. Primeiro em Alfredo Wagner, com delegado que atirou em homicida sentenciado, fugitivo procurado, que reagiu à bala contra a legião da lei em Serra Cambará. Depois em Ituporanga, uma entrevista com o governador de então, Jorge Bornhausen. Em seguida com o prefeito rio-sulense Luis Adelar Soldatelli, com seu peculiar jeito bonachão, que comemorava em almoço festivo no Clube Concórdia o aniversário de Rio do Sul, e que nos recebeu muito bem, cheio de atenção e mimos, obsequioso, que, afinal, iria aparecer na televisão, e que logo tratou de nos encaixar numa mesa próxima à de honra, para, em seguida dar entrevista, que imaginou ser ao vivo, pois para almoçarmos a tempo, deixamos a iluminação de 3.000 watts ligada, mesmo após a parte aproveitável e realmente gravada da entrevista. E por último a pauta apertada que Maria Odete estipulara incluía entrevista e cenas com um agricultor no Badenfurt, Blumenau, que colhera um pepino de 64 quilos. Telefonamos do Concórdia para a sede em Blumenau e explicamos a quantas estávamos para Maria Odete, que mandou sentar a pua, pois o tempo, como sempre, urge. Ou, como ela, expedita, dizia, “o tempo ruge como leão faminto que a tudo devora, caracas!”. Tínhamos que correr, pois a luz ia sumindo ao entardecer no vale.

Naquele dia o Antunes Severo tinha ido a Rio do Sul fechar contratos de publicidade que o contato Luis Pacheco tinha encaminhado. Ao retornar, lá na altura de Subida, quando a BR 470 faz umas curvas sobre o rio Itajaí-Açú, passamos pelo carro em que iam ambos, Antunes e Pacheco, que nos viram à toda brida. Fomos ultrapassados por eles e levamos uma reprimenda do Antunes, que fez jus ao nome Severo, por estarmos correndo a 120 quilômetros por hora, pois o carro zunia fumaceando e estava ao ponto de fundir o motor no meio milhão de quilômetros rodados. Fomos atrás do carro do ‘chefe’, a oitentinha por hora. Como é tradição, paramos todos no Bar Central, em Apiúna, e dissemos da nossa pressa. O diretor Antunes deu-nos permissão para passar à frente. Fomos correndo. Ao chegarmos no trevo do Bandenfurt o motor fundiu e ficamos na estrada. Por minha iniciativa fomos andando até a casa do produtor do pepino gigante, alguns quilômetros dali. Àquela época levávamos a câmera, o estojo de baterias com carregador e a galhada de luzes com cabos. Fizemos a matéria e com carro socorro enviado por Antunes Severo, que neste interim chegara à sede, houve tempo para editar uma das matérias, a do pepino gigante, para o jornal noturno. Lembro-me que Maria Odete editou uma parte em que eu ia sentado no pepino. Inesquecível. Como cumprimos a pauta, a despeito do motor fundido, a equipe recebeu outro carro, melhor. Antunes Severo nos disse palavras de estímulo e garantiu o encontro dos sábados, quando socializávamos fazendo um churrasco  alí mesmo, no estacionamento da RBSTV Blumenau.

Estes dias fui lá e reencontrei o Joelson, que conheci na Atlântida, e Valther Ostermann, que conheci em Rio do Sul e via na TV Galega, do Pimpão. Ótimos tempos aqueles do telex, telefoto, copydesk, fitas betamax, paika, lauda, nariz de cera… Hoje, poucos sabem o que é suíte – que não é quarto com banheiro; ou cercado com fio – que não refere-se à arame farpado; ou empastelar a edição – que não tem nada a ver com culinária. E por aí vai. Sobreviveu o cromaqui. A despeito da dureza cotidiana, sempre tínhamos razões para sorrir.

No começo da FM Atlântida de Blumenau, num quartinho contíguo à escada na sede na Getúlio Vargas, redigia notícias pela Agencia RBS, e pequenos textos para ‘enchermos linguiça’ e esticar a programação essencialmente musical com anúncios no meio, o que incluía produzir alguns skétchs. Aos sábados, o operador deixava um enorme rolo de fita no Aiko (gravador), que rodava até segunda de madrugada. Departamentos de Jornalismo em rádios eram raros, capricho, e de produção, inventavam-se. Continuam reproduzindo o que jornalistas agenciados produzem. Ainda em Blumenau atuei na Agencia Scriba e na Cetil.

Absolvo autoretratoSinto-me privilegiado por ter tido oportunidade de trabalhar com os dois primeiros publicitários em Santa Catarina, Antunes Severo (A.S. Propague) e Valdir Ribeiro (Walro). Ambos, quando por mim perguntados, responderam-me cavalheirescamente que o outro foi o primeiro. Valdir Ribeiro me levou para a Eletromotores WEG após encontro com o sócio-fundador e presidente ban-ban-ban Egon João da Silva, no Grant. Na WEG redigia e editava, com o Valdir, o Notícias WEG e fazia RP. Depois, com a Agencia Minx, fizemos um filme institucional que vendeu os maiores motores elétricos do mundo. Só o copião tinha 48 horas. Editamos duas horas e dez minutos. Escolhíamos o design das caixas, ou bolávamos um cartaz de tal e qual produto meio ‘chupado’ de publicação gringa do mostruário publicitário da Flórida ou Califórnia, produzíamos desde out doors até  placas indicativas de concessionários. O próprio Valdir pegava no aerógrafo para dar o acabamento na arte final de verdadeiras obras de arte. Dentro do motor elétrico para puxar placas na construção naval cabia um fusca. Bolamos e produzimos filme para vende-lo. Os eletricistas da própria WEG ligavam os holofotes às caixas elétricas da fábrica, que estouravam. Daí criamos a expressão ‘cada flash um splash!’. Chegamos a usar chapas de aço como rebatedores de luz. Como houve cenas de fábrica, os operários trabalhavam barbeados. O apresentador ‘global’ Cid Moreira foi contratado para narrar o filme. Era uma temeridade, pois nunca conseguiu dizer o ‘RL’ de Beto Carrero World nas peças publicitárias que produzíamos antes na TV Coligadas para o Sérgio Murad, que nos dizia: “Imaginem se fosse da Marlboro!”. Mas o filme foi um sucesso. Logo na primeira tournée, em Perth, na Austália, motores foram vendidos. O equipamento de estúdio da Minx, em Joinville, anos depois, os comprei para um estúdio fotográfico em Rio do Sul.

Em Rio do Sul o sucesso duradouro foi Lourival Gulart, da Iracema de São Chico, o Garotinho de Ouro da Mirador, de Osni Gonçalves. O xará deste, Osni Rhenius, irradiava jogo de bocha e tem homônimo de nome e sobrenome, também em Rio do Sul. Fiz rádio com programas diários na rede cooperativa, nos quais, todos os dias, invariavelmente, terminava o programa dando o preço dos suínos e desejando a todos uma boa tarde, no que acabou tornando-se um bordão. Fiz o programa televisivo semanal Elo Cooperativo, com Paulo Prates, para a Cravil, presidida por Ivo Vanderlinde.

Com a disseminação das mídias internéticas qualquer um faz qualquer coisa, de qualquer jeito e, incrível, podendo até obter sucesso. No interior tem-se a impressão de que quem é bem articulado e não quiser trabalhar, vai fazer rádio ou ser político. De qualquer modo tanto a política quanto a radiodifusão tem grande influência em nossas vidas, mesmo para quem nem disto saiba. E alguns, inclusive, as fazem, ambas, rádio e política, sem saber exatamente do que se trata. Outros não, pois são craques natos, tem carisma, e sabem disto, como o rio-sulense Cesar Souza, pai do prefeito da Capital.

IMG_8862E sosseguem amantes de rádio, pois o meio mais quente entre as mídias é eterno. O que tenta-se agora é ouvir o passado, como que numa viagem no tempo, do tipo de volta ao futuro. Aliás, vim e voltei este tempo todo, como maré, em redações do SANTA, AN e DC, nas ondas de rádio e tevê, e chegamos num tempo em que tapeiam ouvintes e telespectadores narrando ‘tapa’, quando em futebol só quem estapeia bola é goleiro, e dentro da área, senão é falta. Em comerciais, péssimos atores, mal dirigidos, negam com a cabeça o que dizem sobre produtos que tentam vender. Sucumbindo ao sensacionalismo para privilegiar interesses comerciais e perdendo conteúdo jornalístico crítico, pois são só títulos e leads, em linguajar impreciso, um tanto chulo, e com lastimáveis erros de português, como, por exemplo: ‘cidadões previlegiados por percas de esperdícios que houveram’, ou: ‘vamos estar tentando fazer’, que é usar quatro verbos pra não dizer nada, as mídias desrespeitam a inteligência dos usuários, e o ‘mondo cane’ continua explorando psicologicamente leitores, ouvintes e telespectadores, que, percebendo a violência cotidiana, reconfortam-se, achando que as suas próprias desgraças ainda são menores que as dos sujeitos reportados. A cultura de massa descaracteriza tudo e todos num imenso mingau. E continuo girando o dial, zapeando direto, porque tudo está muito igual, pasteurizado, em mesmo tom, centenas de cinzentos, como calmaria antes de mais uma tempestade, uma revolução na radiodifusão (broadcast). Quem se habilita?! [ Homero Gastaldi Buzzi | Jornalista, Publicitário e RP ]

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