Humberto Fernandes Mendonça (ao Antunes Severo, seu compadre)

O menino Humberto era filho de Hermes Mendonça, um experimentado mestre-de-obras que, na prática, foi quase engenheiro.
Por Agilmar Machado

Pelo menos, do que construiu em Araranguá, e que ainda está de pé, tudo continua perfeito.

Nascido em Itajaí, de onde se mudou criança para a cidade que o veria crescer e começar na carreira que tão bem desempenhou – a do esporte no rádio -, Humberto começou por freqüentar o Grupo Escolar David do Amaral, um desses velhos educandários de cuja época restam dois exemplares conhecidos (em Florianópolis, na rua Marechal Guilherme, e em Tubarão, na rua Coronel Cabral).


Humberto posa para as fãs em Araranguá.

Foram construções padronizadas durante o governo do interventor Nereu Ramos. Poucos anos depois, Humberto passaria a estudar no Grupo Escolar Castro Alves, na Rua XV de Novembro, também em Araranguá. Uma vez ouvi dona Nívea dizer ao filho Humberto: “Olha, guri, do jeito que vais nas aulas, te aconselho a começar a manejar uma colher de pedreiro como teu pai…”


Cartão postal para a galera feminina.

Claro que era exagero da irredutível professora, pois, afinal, ele não era tão relapso assim…

Se relato a vida de Humberto desde essa longínqüa etapa, é porque ele e eu tivemos algumas coisas em comum. Coisas curiosas, mas coincidentes. Nascemos ambos no mesmo dia (28 de julho) e tínhamos a mesma idade. Estudamos juntos até o curso complementar. Fomos sempre íntimos amigos e, para rematar a coincidência de fatos, seguimos a mesma carreira: o rádio e o jornalismo. A única coisa em que não fechamos foi que Humberto optou pelo esporte (futebol), o que não é, nem nunca foi, propriamente, a minha “praia”.


Contando uma piadinha para os colegas da Rádio Diário da Manhã.

Mesmo assim, enquanto aguardei a chegada dos equipamentos da Rádio Difusora de Urussanga (hoje Marconi), pela qual já estava contratado desde os primeiros meses de 1951, tive uma breve passagem pela Rádio Tuba, de Tubarão, onde Humberto já gozava de imensa reputação e mostrava seu privilegiado cabedal de excelente profissional que sempre foi.  Ainda em Araranguá ele foi um prodígio em sua especialidade, responsável pela introdução das transmissões esportivas na então jovem ZYT-3.


Humberto F. Mendonça: em  noite de boemia na boate Plaza, em Florianópolis.

Um de seus mais chegados amigos, Osmar Ferreira Cook, fez com que seu nome também se projetasse nos noticiários da emissora.

Em Tubarão assisti a todo o entusiasmo criativo de Humberto, no campo extra-rádio: foi um carnavalesco de escol, responsável pela criação do bloco “Enverga mas não quebra”. Dele faziam parte também os irmãos Costa, nordestinos de Pernambuco, que faziam miséria de sombrinha nas mãos ao som do frevo Vassourinhas, em plena rua Lauro Muller.

Nossa hospedagem em Tubarão era na pensão da dona Menininha, uma extremosa senhora que chegava a pensar que as nossas ressacas das segundas-feiras eram enxaquecas contraídas pela umidade das noitadas de sábados e domingos. E nos preparava chás e ministrava conselhos para “guardar repouso”.  Como fomos injustos, omitindo nossas serenatas regadas a caipirinha e que iam até ao amanhecer…

O Humberto cresceu, teve passagens gloriosas até mesmo em São Paulo, na então rádio símbolo dos esportes – a Bandeirantes. Mas jamais mudou em sua humildade, bondade, companheirismo e solidariedade.

Humberto – que tão cedo se foi – faz muita falta para mim e certamente para muitos que me dão a honra de acompanhar esse pedacinho da vida de um Homem e profissional correto, competente e irrepreensível. Se algo houver depois desta, certamente estará desfrutando das benesses mais merecidas, destinadas somente aos que realmente praticaram o bem.


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Por Agilmar Machado

Iniciou suas atividades profissionais no rádio em 1950, tornando-se jornalista em 1969. Atuou nas principais emissoras do Sul de SC como redator, produtor e apresentador de programas jornalísticos. Historiador, é co-autor História da Comunicação no Sul de SC. É membro fundador da Academia de Letras de Criciúma/SC.
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