Humberto Mendonça – Os Sonhadores

Humberto Fernandes Mendonça: nasce em Itajaí, cria-se em Araranguá, onde começa a carreira de radialista e depois atua em emissoras de Tubarão, Itajaí, Criciúma, São Paulo, Joinville e Florianópolis.
Por Antunes Severo 


Humberto, terceiro da esquerda para a direita, em pé, faz cara de sério para impressionar os colegas e os diretores da emissora, em 1951.

“Humberto era um menino alegre, engraçado, gostava muito de contar piadas e sentia um prazer especial em fazer brincadeiras para ‘irritar’ as irmãs mais velhas”. O depoimento é de Mylene Mendonça, a filha que trabalha numa pesquisa para escrever um livro contando a história do pai e do profissional Humberto Fernandes Mendonça.
Aliás, o profissional, como descreve Mylene, nasceu sonhando com o rádio: ele “desde criança demonstrava interesse por locução quando transformava um cabo de vassoura, uma colher ou um socador de feijão em microfone para suas brincadeiras, narrando gols criados em sua imaginação”. Assim, ao concluir a oitava série do primeiro grau, logo no ano seguinte Humberto se aproxima da Rádio Araranguá e conquista a vaga de locutor esportivo, aos 17 anos de idade.
Na opinião do araranguaense e também radialista Agilmar Machado “ele foi um prodígio em sua especialidade, responsável pela introdução das transmissões esportivas na então jovem ZYT-3, Rádio Araranguá”. Dois anos depois, em 1951, como integrante da equipe de esportes da Rádio Tuba, de Tubarão, lembra Agilmar, “já gozava de imensa reputação e mostrava seu privilegiado cabedal de excelente profissional que sempre foi”.


Humberto e Alfredo Silva, que vieram juntos do Sul, posam triunfantes
no pátio do 63º em Florianópolis, em 1953.

Em 1953 vem para Florianópolis para cumprir o serviço militar no 63º BI – Batalhão de Infantaria do Exército. No ano seguinte, concluído o serviço militar obrigatório, volta à vida profissional como locutor esportivo da Rádio Guarujá. Em janeiro de 1955, transfere-se para a recém inaugurada Rádio Diário da Manhã como chefe da equipe esportiva. Nessa emissora Humberto revela-se ao criar, produzir e apresentar o programa Saudades do Passado levado ao ar de segunda a sexta-feira a partir das quatro da tarde quando consegue conciliar a locução suave de um programa romântico com a vibração do narrador de esportes. Nesta fase, Humberto atua também como locutor comercial e radioator ao lado de Zininho, Antunes Severo, Waldir Brazil, Neide Maria, Aldo Silva, Cacilda Nocetti, Alda Jacintho, Gustavo Neves Filho e Alfredo Silva, entre outros.


Pose clássica para distribuir para as fãs. Esta é endereçada a colega Nivalda que mais tarde torna-se duplamente comadre.

Humberto, mesmo com uma intensa atividade profissional sempre foi muito chegado à família. Terceiro de um total de 10 irmãos, o filho do seu Hermes e de dona Anália, casou aos 28 anos com Vera Maria de Oliveira com quem tem quatro filhos: Denise, Francisco Ricardo, Mylene e Suzana. Em 1961, depois de um ano de atuação na Rádio Difusora de Itajaí Humberto retorna a Florianópolis e volta a trabalhar na Rádio Diário da Manhã onde permanece até 1965 quando vai para a Rádio Bandeirantes de São Paulo integrando a equipe do “Scratch do Rádio”, na época a mais famosa do país.


Humberto na sala do coordenador de esportes de olho na escala dos
locutores para a sjornadas de fim de semana.

Por onde passa, Humberto marca presença pelo carinho, dedicação e companheirismo, além de uma performance profissional invejável. Quando de sua saída da Rádio Bandeirantes para comandar a equipe de esportes da Rádio Cultura de Joinville, Fiori Gigliotti seu chefe e amigo faz emocionado depoimento gravado onde a certa altura destaca:

“Humberto é um locutor estupendo, um amigo extraordinário, uma criatura exemplar”. E mais adiante: “Talvez nunca tenhamos tido na Bandeirantes alguém tão exemplar como esse extraordinário moço que se chama Humberto Mendonça”. Na mesma oportunidade, Alexandre Santos outro colega da Bandeirantes declara: “Agora você alcança um de seus objetivos na sua carreira profissional, aquele de voltar triunfante para sua terra natal”.


Confraternização entre as equipes da Bandeirantes de São Paulo e Cultura de Joinville. Ao centro, a começar a esquerda, Ramiro Gregório da Silva, diretor da Rádio Cultura, Fiori Gigliotti, diretor de esportes da Rádio Bandeirantes e Humberto Mendonça.

Em 1973, Humberto retorna ao rádio de Florianópolis e passa a integrar também a assessoria de comunicação social do governo do estado de Santa Catarina, onde permanece até o seu falecimento em cinco de agosto de 1978.
Em 1981, através de um projeto de lei apresentado à Câmara Municipal pelos vereadores Almir Saturnino de Brito e Waldemar da Silva Filho (Caruso), Humberto Mendonça passa a ser nome de rua na Lagoa da Conceição, em Florianópolis.
Fontes consultadas:
Trabalho de pesquisa de Mylene Mendonça, textos de Agilmar Machado publicados no site www.carosouvintes.org.br e depoimentos de Alfredo Silva e Fernando Linhares da Silva.
Os trechos de áudio apresentados a seguir bem como as fotos selecionadas fazem parte do acervo da família Mendonça. O narrador é Umberto Mendonça e os demais participantes das transmissões têm seus nomes mencionados.
Áudio _00: Trecho do jogo Vasco da Gama e Seleção da União Soviética
Áudio _01: Gol de Tostão no jogo entre os selecionados do Brasil e da Colômbia que terminou com o placar de 6 a 1 para o Brasil.
Áudio _02: Gol de Rivelino na mesma competição.
Áudio _03: Gol de Tostão nas eliminatórias para a copa do mundo de 1970 entre Brasil e Venezuela

Áudio_04: Gol de Tostão Brasil x Venezuela
Áudio_05: Gol de Pelé no jogo Brasil x Paraguai pelas eliminatórias da copa do mundo.
Áudio_06: Trecho de depoimento de Fiori Gigliotti em homenagem a Humberto.
Áudio_07: Mais Fiori
Áudio_08: Fiori finaliza homenagem, seguida de trecho de narração de Humberto Mendonça


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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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