Ilha dos Sons Raros e encontro no verão

Em 1979, finalmente fui chamado pela Caixa para integrar seu quadro de funcionários, mas teria que começar em Capivari, na época um bairro da cidade de Tubarão, no Sul do Estado.

cheveteEsta chamada coincidiu com a montagem do show “Ilha dos Sons Raros”, comandado por Aldo Bastos, Clarice Santos e Marilene Brandalise, assessorados por Paulo Maurício. Iriam participar os grupos e interpretes com músicas próprias da cidade, como Karroussel, Folk, Marcio César, Aldo Bastos, Zuvaldo Ribeiro.

O cenário e a arte dos cartazes e libretos foram de Carlos Magno.

Fui para Tubarão, retornando duas vezes por semana para ensaios. No segundo mês, comprei um Chevette preto, lindo, todo incrementado, com o qual fazia as viagens para Floripa.

No dia do show, uma sexta feira, quando normalmente saia de Capivari para os finais de semana em Floripa, fui surpreendido com minha transferência laboral para a Capital. O show foi lindo, mesmo com público pequeno, mas marcou mais uma época da musica local.

No ano seguinte, montei meu show de composições próprias no TAC, tendo como produtor Luiz Alves da Silva (Culica) e dirigido por Mário Alves Neto. Como homenagem, convidei Zuvaldo Ribeiro para revezar composições comigo naquele palco, mudando o nome do show de Mostra de Verão de Marcio Cesar para “Encontro No Verão”.  Minhas canções eram acompanhadas pelo Grupo Folk, e Zuvaldo, que desenvolvia um trabalho com o Regional do Catão, os convidou para acompanha-lo. Marilene Brandalise anunciava, em “off” e poeticamente, cada música a ser apresentada e meu cunhado-irmão Edson Simas filmou alguns takes em super-8.

Foi a primeira vez que foi montado um bar típico no palco (depois copiado outras vezes), onde os músicos se distribuíam entre as mesas, atendidos por um garçom que os servia.

Tudo teria corrido bem se não fossem por pequenos detalhes, não percebidos pelo público, mas que gerou uma carga de stress: no ensaio geral, Zuvaldo achou que seu acompanhamento acústico o tornava menos atraente do que o meu, com guitarras elétricas, querendo mudar músicas que foram exaustivamente ensaiadas durante meses, enlouquecendo Culica e Mário, que queriam a todo custo dispensá-lo incontinente e fazer o show como criado inicialmente, apenas comigo e Folk.

Só após uma reunião demorada e turbulenta entre nós três; prometi a eles que convenceria Zuvaldo a manter o combinado, o que o fez a contragosto explícito.

O segundo problema foi Branda, na medida que o show se desenvolvia, acrescentar “abobrinhas” ao texto de Mário, falando mais que o necessário e combinado. Mesmo sob as luzes dos refletores, vi Culica descer correndo da cabine de iluminação e pensei que fosse trucidar a menina, que se postava numa das coxias. E eu, no palco, não podia fazer nada!

Por sorte, tudo terminou bem e, entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

Foi o meu primeiro show-solo, onde apenas cantava, liberado do violão, com uma belíssima banda de apoio, tanto nos instrumentais como nos vocais, onde eram experts, os melhores, sob a direção de Reinaldo Moreira. Zuvaldo, apesar da tremedeira (pela sua natural timidez), fez também ótima apresentação, com belíssima performance do Regional comandado por Catão, um dos últimos grandes seresteiros de Floripa. Além das composições de cada um, ainda interpretamos duas canções (cada um) de nossas maiores influências em composição, como Gonzaguinha e Chico Buarque, além de compormos o chorinho “Encontro No Verão” em dupla, hoje perdido na história.

Pena que, como registro, só sobram três minutos de filmagem em super-8, que Edson recentemente colocou em seu site “Acervo 3D”, que deve ser visto e revisto, ou pela internet, ou na Casa da Memória de Florianópolis, uma coletânea de fotos e vídeos da Capital nos anos 1980 e 1990.

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