Ilmar Carvalho: Cidadão de Copacabana

Paulo Magoulas

Ilmar Carvalho acaba de lançar com sucesso o seu primeiro livro “O Bêbado Azul do Desterro”, pela Editora Letradágua. Foi uma noite memorável no Severina, com a presença de amigos músicos, intelectuais e artistas. Ilmar tem dupla naturalidade, catarinense de Joinville e carioca de Copacabana. Em Florianópolis, além de jornalista consagrado, era correspondente de importantes veículos: Manchete, Fatos e Fotos, O Globo, Visão, Folha de São Paulo, Correio do Povo e Estado do Paraná e trabalhava no Sesi. Seu grande sonho era vir para o Rio de Janeiro e escrever num grande jornal daqui, então para a felicidade nossa, que passamos a contar com seu rico convívio, pediu transferência em 1964 para o Sesi Nacional e pouco depois estava integrado na equipe do Correio da Manhã. De cara, foi estabelecendo contato com a música urbana Carioca, o choro, o partido alto, os sambas das escolas e também com a Bossa Nova que era a febre do momento. Mais tarde, lecionava Sociologia Musical no Instituto Villa-Lobos da UniRio, pertenceu ao Conselho de Música Popular do M.I.S, na época do Ricardo Cravo Albin e a Associação Brasileira de Música Popular sob a presidência de Albino Pinheiro. Ao longo do tempo Ilmar participou de vários simpósios pesquisou tudo que pode na área musical, transformou-se num dos maiores colecionadores de discos e livros da música popular e erudita e hoje, é este crítico competente e admirável, com um texto sábio e atraente que nos brinda permanentemente no caderno da cultura do Jornal do Commercio. Ilmar também escreveu para jornais de Joinville e Florianópolis.

Jornal Copacabana: Quando você veio ao Rio, pela primeira vez?
Ilmar Carvalho: Em 1946, vivi uns meses no Rio, morando no centro da cidade. Voltei para ficar, em 1964, vindo para a casa de minha irmã, em Copacabana, na Rua General Ribeiro da Costa, onde permaneci quase um ano.

J.C: Você sempre morou em Copacabana?
I.C: Saí da casa da minha irmã, passei um curto período em Santa Tereza e vim para Copacabana, onde estou até hoje. Por coincidência, morei na Prado Júnior em quatro endereços. Fui vizinho do Paulo Moura e do Russo do Pandeiro e há quinze anos, comprei este apartamento aqui na Henrique Oswald.

J. C: Como era Copacabana quando você chegou?
I.C: Uma maravilha, era a capital cultural do país. Tudo que era importante, nacional ou internacionalmente, passava por aqui. Nós jornalistas, saíamos do trabalho e vínhamos para os bares e restaurantes de Copacabana, os do Beco das Garrafas, Bottle, Little Club, Bacarat, era o auge da Bossa nova, o Zorba, o Grego, o Papagalo, o Cervantes, o próprio Bossa Nova, o Nogueira, o Boca Seca, no Leme. Íamos ao Fiorentina, que era o grande vetor da noite. Freqüentávamos as famosas feijoadas do Texas, o Fred, o Copacabana Palace, a boate do Hotel Plaza. Tudo isto me marcava muito. Era uma vida vibrante, gostosa, rica. O principal comércio do Rio era aqui. As lojas do centro abriam filiais, em Copacabana. Era todo um mundo, em cinco quilômetros de praia e duas avenidas. Tudo era muito interessante e original, dos lugares mais luxuosos aos pés sujos. Copacabana era a rainha da zona sul, mais importante que Ipanema e Leblon.

J.C: Como é Copacabana hoje?
I.C: Hoje me considero carioca de Copacabana. Continuo gostando imensamente do bairro. Sei que a vida mudou. Tempos modernos, mas Copacabana continua me dando muitos prazeres. Moro no Bairro Peixoto, com um telefonema resolvo tudo. Copacabana reúne uma grande concentração de discófilos e colecionadores que não precisam sair daqui para enriquecerem seus acervos. Temos sebos maravilhosos com uma renovação permanente de estoques. Manoel Bandeira me falava de Don Lourenço Perozzi, compositor sacro do Vaticano. Comprei vinis com suas músicas agora, num sebo. Você encontra coisas fantásticas. Discos de jazz, fabulosos e quase sempre, em perfeito estado.Vou quase que diariamente ao Shopping dos Antiquários e ao Centro Comercial de Copacabana. Existem lojas interessantíssimas e características da alma do bairro. Quem dera pudesse comprar tudo! Tem uma doceira na Siqueira Campos, quase esquina da Avenida N. Srª de Copacabana, que fica perto do jornaleiro, que é uma maravilha. Ela ou seu filho vendem empadas, compotas, tortas e bolos deliciosos. Outra loja incrível é a Modern Sound, o mais completo sortimento do Rio e com uma programação diária de alta qualidade. Copacabana ainda tem muita qualidade de vida onde eu moro, aparecem freqüentemente sagüis. Como é bonito, ver as copas das árvores se encontrarem na Rua Stª Clara. E você consegue comer barato, as ofertas são muitas.

J.C: Que bares e restaurantes você freqüenta hoje?
I.C: Continuo indo ao Cervantes, freqüento a adega Pérola, o Árabe da praia, que é fantástico e o Siqueira Grill. Destaco também, o sebo Baratos da Ribeiro, que aparentemente é pequeno do lado de fora, mas dentro, tem um jirau e você acaba se perdendo lá dentro. Às vezes tem programação musical. Eu vou quase todo dia e recomendo.Ainda é um barato viver aqui. Você encontra tudo perto e com preços acessíveis. É uma grande concentração de passagem de público, o que nos traz vantagens. É riqueza de tipos humanos. Você ainda tem as principais lojas e os camelos. Tem movimento e tem o sossego. A minha casa é uma paz enorme.

J.C: Como crítico, você prefere qual música sobre Copacabana?
I.C: “Copacabana Princesinha do Mar” de Braguinha e Alberto Ribeiro.

J. C: Você esta escrevendo outro livro?
I.C: Sim, agora peguei o gosto. Estou preparando outro de crônicas, mas só do Rio de Janeiro. Continuo escrevendo um sobre o Cartola e ainda quero lançar dois outros, o primeiro sobre compositores eruditos brasileiros e o segundo sobre a nossa música popular.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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2 respostas
  1. else says:

    Estimado Senhor Editor do Jornal Copacabana 21 2549-1284

    Por faavor, sou graduanda comunicação social da PUC-RJ, e escreevo monografia sobre a MPB e também choro, entre as pesquisas tive a grata surpresaa de ler entrevista de titulo “Ilmar Carvalho: cidadao de copacabana” site http://www.carosouvintes.org.br/blog/?p=19477, na WEB, EM 23/10/2010.
    Tive exito nas entrevistas com proffissionais e estudiosos da area MPB, como Albin, Cabral, entre outros, busco contacto para entrevistar, mesmo que seja por mail ou tel, O estudioso e jornalista Ilmar Carvalho. Como seu jornal poderia estreitar este contaccto????
    Desde já agrdeço leitura deste,
    saudações
    else Borinski
    graduanda Comunicação Social PUC- RJ
    21 8623-4775

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