Iluminura radiofônica 3: quando o rádio é igual a arte

Rádio como arte pode levar você a novas paisagens… Quando Rádio é igual a Arte? Julio de Paula responde: “… no cotidiano de uma emissora de rádio a demanda por produção faz cegar o realizador e romper o diálogo com outras artes. Lutar contra esse status e buscar espaços para conteúdos pouco usuais no rádio aberto tornou-se tarefa correlata. Na prática a radioarte cede espaço para um processo artesanal. Rádio feito a mão. Rádio artesanal. Janete El Haouli completa “talvez eu prefira pensar o rádio como arte… a questão é de que arte estamos acreditando… que rádio praticamos… um rádio tem que afetar o outro…então eu me pergunto: arte? Rádio? Como? Indo na contramão. Na contramão da velocidade. Pára. Escuta. Faça algo por você”.

Som é movimento, deslocamento. Movimento do seu corpo e pensamento numa viagem de trem. Ver a paisagem. Ouvir a paisagem. Sentir o cheiro da paisagem… Perceber a paisagem… ou, procurar o silêncio perdido numa viagem de trem, como sugeriu John Cage…  Junho de 1978: uma viagem de trem em Bolonha, Itália… Sete vagões de trem cheios de microfones, monitores, sons por dentro e por fora, com vários artistas realizando apresentações: flauta, voz, música eletroacústica… Com aquela viagem sonora, John Cage delimitava um percurso enquanto apagava outro…  Sugeria apagar a linha limite entre os que pensavam a música como sistema tonal daqueles que acreditam que a música é apenas um entre os muitos elementos de um universo sonoro, no qual, cada um pode desenvolver sua própria arte da escuta.
 
O artista plástico Tunga nos lembra: “… o rádio capta muitas coisas que estão por aí que sequer são ruídos. São ondas. Mas ele capta e transforma essas ondas em barulho, em ruídos. O tempo dele, a duração dele, não é como de uma música. “… há sempre um rádio ligado em algum lugar. E esse rádio organiza o silêncio de outro modo, que não é o modo da música. Tudo aquilo que entra pelos ouvidos de alguém está presente no rádio”.
 
Info | Comentário de Julio de Paula (roteirista, editor e produtor radiofônico da Cultura Brasil SP e professor da Universidade Casper Líbero, SP) Janete El Haouli, radioartista, musicista e professora da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e Tunga, artista plástico internacionalmente conhecido, acabou de abrir exposições em Paris e Salvador- Bahia (Museu Rodin).

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Por Lilian Zaremba

Nasceu e vive no Rio de Janeiro. Roteirista e produtora radiofônica, artista visual, pesquisadora Doutora em teorias da Comunicação, trabalha desde 1997 diferentes aspectos da linguagem e transmissão radiofônica associada às artes sonoras. Desenvolve pesquisa de pós doutorado na ECO-UFRJ sobre a atualidade da estética radiofônica.
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