Imortalidade, não

Rádio CBN Brasil | MUNDO DIGITAL, com Ethevaldo Siqueira
Milton – Ethevaldo, quais foram, na sua opinião, as discussões mais interessantes travadas no Fórum Econômico Mundial, de Davos, que se realizou na semana passada?
Ethevaldo – Foram duas, Milton. A primeira discutiu o Futuro das Universidades, tema que vamos comentar daqui a algumas semanas. A segunda discussão, muito mais polêmica, sobre a expectativa de vida, partiu da palestra de Joichi Ito, diretor do Laboratório de Mídia (MediaLab) do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que é também grande investidor em novas tecnologias. Ele diverge radicalmente do cientista e futurista Ray Kurzweil, criador do conceito de singularidade, que propõe soluções e caminhos únicos ou singulares, como a busca da imortalidade do homem no fim deste século, graças aos progressos da computação e da nanotecnologia, entre outros avanços. Kurzweil prevê que o homem se tornará imortal até entre 2050 e o fim deste século.

Milton – Por que o diretor do MediaLab discorda dessa previsão sobre a eventual imortalidade do ser humano?
Ethevaldo – Embora o professor Joichi Ito admita que a tecnologia possa, realmente, tornar o homem imortal, a realização desse objetivo pode trazer grandes problemas à humanidade.

Milton – Por quê? Ele é contra a imortalidade?
Ethevaldo – Não, Milton. Na opinião do professor, Kurzweil, o futurista mais ousado do mundo, estabelece erroneamente suas prioridades. Mais do que isso: para o diretor do MediaLab, as inovações tecnológicas não devem mais buscar eficiência, coisas inusitadas ou singulares. A grande prioridade, na opinião deve, deve ser o bem-estar da sociedade, mais qualidade de vida, a capacidade de recuperação diante dos problemas e de adaptação aos novos tempos.

Milton – Essa não é a opinião de outros futuristas?
Ethevaldo – É, Milton. Para eles, o prolongamento indefinido da expectativa de vida já está criando muitos problemas, aumenta de forma insuportável os custos da previdência social e da saúde pública.
Com homens imortais, a situação se torna ainda mais difícil, pois serão necessárias medidas muito mais rígidas de controle da natalidade, com o aumento cada vez maior dos limites de idade para a aposentadoria. Além disso, a produtividade geral tende a cair, diante do aumento gigantesco dos gastos sociais.

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Por Ethevaldo Siqueira

Escritor, consultor e jornalista especializado em novas tecnologias. É colaborador da revista Época e comentarista da Rádio CBN. Ethevaldo cobre o setor tecnológico ligado à comunicação há mais de 40 anos entrevistando cientistas, participando de congressos internacionais e visitando exposições, laboratórios e universidades.
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