Império do futebol

Os uruguaios adoram lembrar de nosso fracasso em 1950: o “Maracanazo”! Pois bem, eles têm todo direito de fazê-lo, pois a vitória da Celeste Olímpica era tida como absolutamente improvável, diante de um Brasil irresistível, jogando em casa e que chegava à final precedido por duas acachapantes vitórias contra Suécia e Espanha, esta com direito a coro de 150 mil torcedores, cantando: “Eu fui às touradas, em Madri, parará tchi bum bum bum…”.

Tudo estava pronto para a festa da consagração, pois o título já era considerado “no papo”, com quase 200 mil torcedores lotando o Maracanã! Só que, lembrando o comentário de Garrincha com certo técnico, esqueceram de combinar isso com a seleção uruguaia, principalmente com Obidúlio Varela e Ghiggia.

À seleção brasileira, sobrabava técnica, mas faltavam Heleno de Freitas e raça, o que nunca foi um problema para os uruguaios. O curioso é que Heleno de Freitas, grande craque do Botafogo, com meteórica passagem pelo Santos FC, não fora convocado por estar jogando fora do Brasil!

Mas é preciso voltar um pouco no tempo para entender que nem só de raça vivia o Uruguai:

Ser sede da primeira Copa do Mundo não foi mero acaso, pois os uruguaios já haviam encantado o mundo nas olimpíadas de 1924 e 1928. E o fizeram jogando um futebol de alto nível, sendo considerados “cavalheiros” em campo, contra as potências européias de então. Em tudo, até na cor de seu uniforme, justificavam a alcunha de “Celeste Olímpica”.

Venceram em casa porque tinham futebol e motivação para fazê-lo, numa época em que o Brasil vivia um clima de bairrismo entre Rio de Janeiro, capital, e São Paulo, crescente potência econômica, ambos praticamente de costas para os demais rincões do país. Conquistaram o título mundial de 1950 pelo mesmo motivo, agregando raça e superação ao bom futebol, e nos legaram o que Nelson Rodrigues resumiu com “complexo de vira-lata”, só superado em 1958, graças a Pelé, Garrincha e Cia., quando passamos a reinar nos gramados do mundo.

O problema é que, a partir daí, os uruguais meio que esqueceram a técnica e passaram distribuir botinadas e cusparadas a bangu. Com exceção da Copa de 1970, eles foram perdendo prestígio e respeito.

Perceberam que os bons desempenhos uruguaios sempre foram em copas de final zero?
Não foi diferente em 2010:

Classificada na repescagem das eliminatórias, a seleção uruguaia tinha tudo para ser mera coadjuvante, mas foi protagonista de uma bela página do futebol mundial. Com a raça de Lugano e a técnica de Diego Forlán, filho de Pablo, ex-lateral direito do São Paulo, na década de 1970, o Uruguai foi bem mais longe do que se poderia imaginar, e poderia ter ido ainda mais, pois a raça reencontrou a técnica. Até o último minuto de jogo os bravíssimos uruguais não desistiram.

Quando teremos essa raça por aqui? Já imaginaram se juntássemos essa paixão com nossa técnica?
Já foi assim, nos tempos do Império:

O Uruguai, para quem não faltou nas aulas de História, era a Província Cisplatina, que foi anexa ao território brasileiro entre 1821 e 1828.

Os uruguaios têm brio e orgulho nacionais mais do que suficientes para não quererem isso, mas se voltássemos àquela condição, o “Brasilguay” seria heptacampeão mundial de futebol; teria um batedor de faltas decente e somaria 20 Libertadores e 15 Mundiais Interclubes, para deixar os discípulos de Maradona ainda com mais “dor de cotovelo”. Além disso, também teríamos carne ainda melhor para o churrasco, mais vinhos tintos e cervejas de boa qualidade, sem falar em Punta del Este!

Eles também se dariam muito bem nessa “parada”! Além de pararem com essa história de “Maracanazo”, que viraria um tiro no pé.

Dizem que o Uruguai é a “suíça sulamericana”. Bem, a Suíça tem quatro idiomas oficiais: alemão, francês, italiano e romanche (esse aí eu não sabia!), além do inglês.
Não vejo problema nenhum em sermos bilíngues…

Entonces: Viva el Brasilguay, ó xente merrmo, mano chê!

Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa)
Leia outros textos do autor e baixe gratuitamente os livros digitais: Sobre Almas e Pilhas e Dest Arte em: www.algbr.hpg.com.br
Conheça as músicas do autor em: br.youtube.com/adilson59
E-mails: algbr@ig.com.br e prof_adilson_luiz@yahoo.com.br
(13) 97723538

Categorias: , Tags: ,

Por Adilson Luiz

Palestrante, compositor e escritor, autor de Sobre Almas e Pilhas (2005) e Dest’Arte (2009). Articulista e cronista, escreve em vários meios de comunicação no país. É Mestre em Educação, Engenheiro Civil, Professor Universitário e Conferente de Carga e Descarga no Porto de Santos/SP. Mantém o site algbr.hpg.com.br
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *