Impressão de que não é impressão

Comentário comum: “O tempo parece estar voando; os dias, as semanas, os meses, os anos, a vida”.

O tempo parece estar passando bem mais rápido do que algumas décadas atrás; ou seria mera impressão devido a correria em que vivemos? O psiquiatra e escritor Augusto Cury vem há algum tempo falando sobre – SPA – Síndrome do Pensamento Acelerado. Algo que pode ser confundido segundo o especialista com a hiperatividade. Num de seus livros Cury comenta que uma criança aos 7 anos de idade atualmente tem mais informações do que um imperador romano quando no auge do seu poder. Pudera: Muitas exigências além do ensino escolar; aprender outros idiomas, praticar esportes e outras atividades; como se até então fosse pouco. Me arrisco em dizer que percebo dois “grupos” de pais: Um deles preocupados com o futuro de seus filhos. Preocupam-se com o futuro profissional dos filhos e de por ora mantê-los longe das drogas e de más companhias. Outro “grupo” talvez tenha em mente que um filho bem ocupado deixará os pais com mais tempo livre para as suas próprias atividades, para correr atrás dos seus próprios interesses. Alguém duvida?

Em uma aula sobre o gênero textual – crônicas – uma aluna do 8º ano nos apresentou um tema especial: O sol também se põe. O tema era livre. A professora da turma e eu como estagiário tínhamos como objetivo fazer com que todos os alunos – criassem, desenvolvessem, que dessem asas à imaginação procurando criar suas próprias crônicas. A criatividade e sensibilidade de uma das alunas me veio à mente ao escrever esse texto. A jovem estudante escreveu sobre como as crianças de hoje aproveitam pouco o melhor da sua infância; que segundo a sua crônica passa tão rápido assim como o sol se põe a cada dia; está aí o porquê do tema. Excelente: O sol também se põe. Mas como mudar isso em dias tão corridos, em meio a tantas exigências?

E nós adultos? Parece que costumamos notar a passagem do tempo ao ver o filho de um amigo que “ontem” era um bebê e hoje já faz a barba ou está na faculdade.

Às vezes me pergunto sem medo de parecer tolo: Será que não mudou algo no universo e o relógio está acelerado, o calendário de parede rapidamente descartável, parece até um jornal? O problema não são horas, dias, semanas, meses e anos, é a vida, a vida que está passando por nós e nós por ela tão brevemente. Parece que mal piscamos e ao abrir os olhos anos se passaram. O que estamos produzindo? O que estamos aprendendo e ensinando? O que deixaremos ao fechar os olhos de modo mais demorado?

Agora nos aproximamos de mais um final de ano e lá vem algo ruim de se falar, porém necessário lembrar: Quantos serão vítimas de morte por afogamento e em acidentes de trânsito? Vítimas não de um destino implacável do qual não há como fugir, antes de atos de imprudência onde existem os irresponsáveis e as vítimas de tais imprudências.

Não anotei o nome do autor da frase/pensamento: “Viva cada dia como se fosse o último, um dia você acertará”.

Quero viver assim, aproveitando e demorando muito para acertar o dia.

Tomara que as crianças tenham mais tempo de serem crianças; O sol também se põe, dizia a crônica da jovem aluna.

Que nós adultos não apenas vivamos, mas que tenhamos a ousadia de sugar da vida o que há nela de melhor; o viver, o sentir o sabor dos alimentos, das belas visões, do convívio com amigos e familiares e acima de tudo da espiritualidade. Entendo essa última como primordial, pois com ela temos uma relação com o Criador e a paz para viver e aproveitar todas as outras e muito mais.

A vida passa por nós e nós por ela. Se Deus quiser e permitir devo voltar com minhas crônicas na segunda quinzena de janeiro de 2019.

Quanto a se é impressão ou não que o tempo está passando mais rápido ainda não sei; só sei que essa impressão está em minha mente e apontada pelo meu relógio e calendário. De qualquer forma sendo só impressão ou não vou viver e procurar me cuidar.

Agora preciso atender a quem está batendo em minha porta, creio que possa ser a segunda quinzena de janeiro de 2019. Ou pode ser impressão minha. Vou ali ver e já volto.

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