Imprevisto Indesejável

Um dia recebi o telefonema de um amigo antigo. Quando o conheci ele ainda era criança. Cresceu, estudou, formou-se em medicina. Passou a ser o Dr. Carlos Bostelmann, urologista. Carlos presenciou diversos dos causos que tenho contado pelo Rádio, em meu site e agora conto neste livro.

Seu pai foi meu colega, meu amigo e sócio numa empresa de publicidade, um radialista de escol, o Sérgio Fraga. Seu nome de batismo era Percy Bostelmann, o que explica um dos apelidos que ele tinha: “Alemão”.

Num bate-papo delicioso o Carlos, que naqueles tempos era guri, lembrou de um causo antológico envolvendo seu inesquecível pai.

O Sérgio Fraga havia retornado à Rádio Clube Paranaense, após a Fundação Nossa Senhora do Rocio assumir essa emissora. Certo dia, ele se preparava para começar a apresentação do seu programa, quando recebeu a visita inesperada de alguns alunos de Comunicação Social da PUC – Pontifícia Universidade Católica.

Muito contente e honrado, o Sérgio Fraga fez uma explanação para os visitantes sobre a Rádio e seu programa. Estava muito empolgado quando foi alertado pelo operador de som que o programa já entraria no ar. Ele foi para a mesa de locução e procurou acomodar-se, soltando seus 130 quilos de peso sobre a cadeira.

Que tragédia!

Com o esforço feito ele deixou escapar um inconveniente e ruidoso pum que todos ouviram. Muito sem jeito, para salvar as aparências, ele começou a bater com o microfone na mesa dizendo que o mesmo estava com defeito. Disse que ele já havia comunicado à diretoria que o microfone era muito velho e fazia alguns ruídos estranhos, pois estava estragado. Foi quando uma das alunas, fechando o nariz com os dedos, disse assim:

– É… seu Sérgio, o senhor tem razão. Coisa estragada a gente tem mesmo que jogar fora, porque além de fazer barulho, fede pra chuchu.

O “Alemão” ficou vermelho como um peru e todos caíram na gargalhada, atrasando o início do programa.

Penalizada, a moça deu um beijo no Sérgio Fraga, reanimando-o e quebrando o mal estar criado pelo vexame. E tudo acabou em brincadeiras.

 

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