Inconfidências de um compadre inconformado

De um lado uma comadre obstinada por uma poesia de Ghiaroni e de outro, lá longe no Rio de Janeiro, um compadre se preparando para um tour europeu.

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Entre os dois – eu, este escriba – confidente de um sonho de uma noite de verão do dia 13 de dezembro de 1981. A data, festivamente faceira, assinalava os 23 anos do projeto de vida que a Nivalda e eu havíamos firmado: o nosso casamento, como diziam os cronistas sociais da época. Mas, que, no nosso caso tratava-se de um arrojado projeto de vida, de verdade e para valer.

Sem Juiz de Paz, sem Sacerdote e sem cerimônia matrimonial e separados por 500 quilômetros de estradas tortuosas e esburacadas havíamos resolvido juntar os panos. Ela em Florianópolis, eu em Porto Alegre. Ela trabalhando no departamento de radioteatro da Rádio Diário da Manhã e eu locutor na Rádio Guaíba. Por carta e depois por telefone combinamos que ela deveria largar tudo aqui e ir para “Portinho”, como chamávamos a Capital gaúcha.

Glauce e Mauro

Glauce e Mauro

Em três dias a ex-colega de emissora e agora noiva comprometida, no dia 13 de dezembro de 1958, aterrissava no Aeroporto Salgado Filho, a bordo de um majestoso DC 3 da TAC Real Aerovias. Foi um momento marcante, não previsto em nossos desafios. O que importava, porém, é que estávamos juntos. E dalí saímos direto para conhecer a ponte móvel sobre o Rio Guaíba. A aventura durou pouco. Em três meses estávamos de volta a Florianópolis para surpresa dos colegas mais íntimos e para espanto dos demais conhecidos. Entre os amigos estava um jovem projeto de jornalista-colunista-escritor-teatrólogo-publicitário que mais tarde veio a ser reconhecido como uma das inteligências fulgurantes da Ilha de Santa Catarina e nosso compadre: Mauro Júlio Amorim. Já naquela a época um severo crítico dos modos acanhados da pacata população ilhoa.

Pois o Mauro Júlio encabeça e completa as personagens do episódio que passo a relatar com os devidos documentos pertinentes e comprobatórios.
Como disse, em dezembro de 1981 comemoramos nossos primeiros 23 anos de feliz consórcio juntamente com os cinco filhos em alta e festiva algazarra doméstica. E revemos os sonhos, as conquistas, os desafios e as esperanças do nosso pacto de feliz consórcio.

19_x2.as.preta (1)Falamos da luz distante que uma noite nos fez sonhar abraçados, falamos da alegria que era ter filhos sadios e que já buscavam os seus próprios caminhos. Revemos nossos encontros e desencontros vencidos e aí sim, sonhamos, sonhamos, sonhamos… até chegar a um lugar comum – a nossa admiração por uma poesia que sempre teve efeitos mágicos sobre nossas vidas: A Maquina de Escrever de “A Graça de Deus”, por Giuseppe Ghiaroni.

E então lembramos do Mauro, nosso amigo, compadre, comparsa cultural e afetivo. A Nivalda, digo, a Preta como já era conhecida, escreve para o compadre pedindo-lhe que interferisse junto ao autor da poesia para enviar-lhe uma cópia.

Ao final de um mês, pouco mais, chega a carta que você poderá ler no PDF que se segue e que publico em sinal da gratidão a mais esta conquista que torno pública 34 anos depois.

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