Intercomunicando

Qualquer balanço que eu possa fazer do VII Simpósio de Ciências da Comunicação na Região Sul não vai dar conta da impressão que cada participante levará de Curitiba.
Balanço do Intercom Sul 2006
Por Rosa Maria Cardoso Dalla Costa
Representante da Região Sul no Conselho Consultivo da Intercom

Certamente para muitos, acredito que a maioria, esta tenha sido uma oportunidade única de encontrar, de ouvir, de fazer perguntas e até tirar fotografias com aquelas pessoas que conhecemos por meio dos livros. Foi também uma oportunidade de ouvir discussões que não têm espaço em salas de aula, ou ainda de ter despertado um interesse maior pelos temas aqui tratados.
Se assim o foi, cumprimos o nosso papel, que era o de proporcionar um espaço de discussão acadêmica no qual todos os sujeitos da área da comunicação – professores, alunos, pesquisadores e profissionais – estivessem de alguma forma envolvidos. Um espaço que não acontecia desde 2001, ano em que foi realizado o VI Sipec Sul, em São Leopoldo (RS).
Neste espaço de discussão tivemos inicialmente a Conferência do professor Antonio Hohfeldt (PUC-RS), que nos falou sobre a relação entre Estado e Comunicação, privilegiando os aspectos teóricos da questão e destacando os diferentes atores que interagem neste processo. Apresentou-nos um relato histórico de como essa relação foi sendo alterada conceitualmente a partir da Revolução Francesa e forneceu-nos referenciais para aprofundarmos o entendimento desta relação.
A primeira mesa redonda discutiu as políticas democráticas na Região Sul e nela defendeu-se a idéia central de que a democratização da informação passa necessariamente pela formação e atuação do profissional da área. Para o professor Francisco Karam (UFSC), é o profissional que deve ter o papel central na segmentação e regionalização dos meios, caminho para a democratização da informação. O professor Élson Faxina (Unicenp), na mesma direção, mostrou o quanto é preocupante a falta de informação que percebe nos alunos e até em profissionais já formados, que atuam no mercado. Sérgio Murilo, presidente da Fenaj, reforçou a idéia, afirmando que a conscientização e a aproximação com os estudantes é uma questão de sobrevivência para a entidade. Finalmente, o professor Valério Brittos (Unisinos) defendeu as potencialidades da TV digital no processo de democratização, afirmando que o que parece apenas uma mudança de patamar tecnológico pode ser um processo de inclusão digital, com a interferência da sociedade na mídia.
Depois de se discutir a relação Estado e Comunicação, do ponto de vista teórico, metodológico e conceitual, e de se apontar que o grande desafio do processo de democratização da informação está na conscientização e na formação do profissional da área, discutiu-se, na segunda mesa, o ensino e a pesquisa da Comunicação na Região Sul.
A professora Cláudia Moura (PUC-RS) fez um panorama histórico da criação e regulamentação dos cursos, a partir da década de 1960, destacando as mudanças ocorridas na Região Sul entre 1998 e 2004. Falou-nos sobre a expansão e a interiorização dos cursos, e sobre o crescimento das habilitações.
O professor José Luis Braga (Unisinos) enfatizou a dicotomia entre teoria e prática e a maneira como ela se apresenta no cotidiano dos cursos, muitas vezes se repetindo entre os cursos de graduação e pós-graduação. O professor Renato Martins (UEL) destacou a experiência da Universidade Estadual de Londrina, relatando, por esse exemplo, como as questões anteriormente mencionadas se relacionam no cotidiano.
Que balanço fazer de todas essas idéias tão bem apresentadas e discutidas? Penso que a idéia que permanece é a que foi comentada no final da última mesa redonda: O Intercom Sul não traz respostas para as questões levantadas, e nem é esse o seu propósito. A relação Estado-Comunicação se dá a partir de sujeitos determinados: políticos, comunicadores e sociedades. O papel dos comunicadores é fundamental e é nosso: estudantes, professores, profissionais e pesquisadores da área. Se saímos com essa pulga atrás da orelha, o evento cumpriu o seu papel.
Toda essa discussão teórica foi complementada com os trabalhos dos onze GTs, nos quais 172 textos foram apresentados e discutidos. Todos os três Estados da região estavam representados; tivemos também expositores dos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Nas oito oficinas realizadas, contabilizamos 150 participantes, além da oficina palestra do Canal Futura, que contou com cerca de 80 pessoas.
No total foram cerca de 750 participantes, além dos cerca de 80 alunos do curso de Comunicação Social que trabalharam na organização do evento, funcionários e professores do Decom e professores das instituições parceiras. A sensação que tenho neste momento – e, imagino, têm todos os demais membros da comissão organizadora local – é a do dever cumprido.


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