Internet reduz atratividade de ações das empresas

A confiança dos investidores no desempenho das empresas de meios de comunicação e entretenimento foi duramente abalada com o crescimento do uso da internet. Entre 2003 e 2007, período de bonança… Por Vinícius Pinheiro

A confiança dos investidores no desempenho das empresas de meios de comunicação e entretenimento foi duramente abalada com o crescimento do uso da internet. Entre 2003 e 2007, período de bonança nas bolsas internacionais antes do agravamento da crise financeira, as companhias abertas que representam redes de rádio, gravadoras, emissoras de televisão e imprensa apresentaram uma perda de valor até 37% ao ano – incluindo o chamado custo de oportunidade. A conclusão é de um estudo realizado pela Iese, escola de negócios da Universidade de Navarra, na Espanha, obtido pela Gazeta Mercantil.

O levantamento, conduzido pelo pesquisador Javier Aguirreamalloa, abrangeu 349 empresas de capital aberto dos setores de tecnologia, meios de comunicação e telecomunicações dos Estados Unidos e Europa, divididas em 41 segmentos. Em contraste com o fraco desempenho das ações do segmento de mídia, os portais de internet e redes sociais proporcionaram um ganho médio anual de 42% a seus acionistas.

Segundo Aguirreamalloa, nenhum dos segmentos ficou imune ao sentimento de aversão ao risco que tomou conta dos mercados globais em 2008, principalmente após a quebra do Lehman Brothers. “Como quase todos os tipos de investimento, excetuando talvez o bônus soberano, os meios de comunicação também perderam. No entanto, perderam (um ano mais) mais valor que a tecnologia e as telecomunicações”, afirma. Ele lembra que, quando a economia vai mal, o investimento publicitário – principal fonte de receita de jornais e revistas – costuma ser um dos primeiros a serem cortados.

Apesar da queda do valor de mercado, do ponto de vista contábil os meios de comunicação registraram bons resultados no período analisado pelo pesquisador do Iese. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) média do segmento de imprensa, por exemplo, foi de 11,8%. “Se as ações dos meios de comunicação não foram bem durante esse período, não foi pelos resultados presentes, mas sim pela expectativa de que o futuro seria pior para eles”, avalia.

Com relação à confiança depositada pelos investidores nos portais de internet, a justificativa é a oposta. Segundo o pesquisador, essas empresas ainda não encontraram um modelo para viabilizar os serviços prestados de forma viável e rentável no longo prazo. O bom desempenho em bolsa, portanto, corresponde à expectativa de que essa captura de valor ocorrerá. “Duvido, pois já vimos esse cenário com a queda das empresas em 2000”, diz Aguirreamalloa, em referência ao estouro da bolha das pontocom. Ele pondera ainda que a amostra da pesquisa é pouco representativa e engloba, principalmente, portais voltados ao público chinês listados na Nasdaq, como o Netease e o Sina. De todo modo, Aguirreamalloa considera que desde já os meios de comunicação terão que mudar o modelo de negócio, que não convence os investidores. De acordo com o estudo, quanto maior a distância do usuário final, maior é a dificuldade para as empresas obterem valor para seus acionistas.

O pesquisador lembra que, com a internet, o consumidor cada vez mais tem maior liberdade para consumir entretenimento, sem a necessidade de “intermediação”, como ocorria antes. O exemplo mais evidente é da indústria fonográfica, que apresentou uma perda média anual de 15% do valor entre 2003 e 2007. “A internet destruiu seu modelo de negócio e as gravadoras não conseguiram se adaptar.” Por outro lado, entre os varejistas de música e de filmes, Aguirreamalloa destaca três tipos de perfil: os que não souberam como atuar, como a Blockbuster, os que souberam (Netflix) e aqueles que transformaram a distribuição pela internet em negócio, como a Amazon.

O mesmo alerta para as empresas de comunicação e entretenimento, diz, é válido para as redes de telecomunicações, a indústria automobilística e as com-panhias aéreas. “São setores necessários para a sociedade, mas as empresas que fornecem esses produtos ou serviços estão destruindo seu valor para os acionistas há vários anos.”

Fonte: http://www.gazetamercantil.com.br

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