Irene de Souza Boemer 7: “a madame aqui que deu o prefixo da rádio”

Gloria Alejandra Guarnizo Luna
Marlene de Fáveri

De 1941 até 1944, a rádio funcionou dessa maneira ainda precária, com sistema de alto-falantes ainda horários restritos. Em 1944, inovações técnicas proporcionaram a Rádio Difusora Itajaí uma nova fase, quando foi transferida do Cine Itajaí para a Sociedade Guarani, tornando possível que os programas fossem assistidos ao vivo, onde se fazia shows com pianistas, apresentavam-se bandas locais e fazia-se rádio-teatro, bem como programas musicais. De propriedade de Dagoberto Nogueira e responsabilidade técnica de Adolfo de Oliveira Júnior, a Rádio Difusora funcionou em caráter experimental até 1947, quando foi reconhecida pelo Ministério das Comunicações e ganhou o prefixo ZYK-9, equipada com um moderno aparelho de 100 watts e, então, oficializou-se. Desse acontecimento, Irene nos conta que teve o privilégio de anunciar os novos tempos, orgulhosa: “A madame aqui que deu o prefixo da rádio… Alô amigos da ZYK-9”.
Sobre os primeiros anos da rádio na cidade, percebemos que houve desesperança no que diz respeito ao seu funcionamento, à incredibilidade do seu sucesso e à sua repercussão. “A princípio poucos acreditavam na sobrevivência da estação que era no ver de muitos, uma tentativa demais arrojada para o nosso modesto e conservador ambiente provinciano, onde apenas o jornal semanário tinha possibilidade de manutenção”.

Entretanto, comerciantes e industriais tinham interesses econômicos, já que seus produtos, serviços e estabelecimentos passariam a ter um veículo de comunicação, onde poderiam anunciar-se. Segundo conta o Anuário de Itajaí, em 1949, havia em torno de “mil e poucos rádios-receptores da cidade e do interior do município, alimentados pelos programas ali realizados. No mesmo ano, seu corpo de funcionários era composto pelas locutoras e auxiliares de secretaria Hilda e Irene de Souza; Adolfo Pereira, técnico de som; auxiliar de técnico de som; Amauri Souza, auxiliar de técnico de som; Sebastião A. dos Reis, Ribeiro Luz e Hermógenes Ramos, locutores; Adamastor de Oliveira, encarregado do departamento esportivo; Orlando Fóes, encarregado do programa de notícias do dia e Ubaldino João da Costa, encarregado do posto de transmissão na Vila Operária.

Mesmo com as limitações de uma rádio de pequeno porte e interiorana, a Rádio Difusora levava ao ar peças de radioteatro, conjuntos regionais, recitais, musicais, transmissões esportivas, programas de auditório, noticiários, e fazia-se com os materiais que tinha à disposição, mas principalmente com a tenacidade dos funcionários que acreditavam na idéia.

Autoras do livro Irene de Souza Boemer – Dama do Rádio, Cronista da Cidade. Itajaí: Editora Mariadocais, 2008.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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