Irene de Souza Boemer: A Difusora Itajaí dominou o setor de rádio

Gloria Alejandra Guarnizo Luna
Marlene de Fáveri
 
O Jornal do Povo tentou, em 1947, colocar no ar a sua própria rádio, localizada na mesma sede do jornal, possuindo como atração principal, além dos programas musicais, os debates políticos. Porém, após três meses de funcionamento, a rádio fechou, seja pela pouca audiência, ou pela precária aparelhagem. A ideologia política da Rádio Difusora pró-udenista foi clara e evidente, como se pode observar nos artigos publicados nos periódicos da época. Esses embates ainda se fizeram presentes por vários anos, mostrando que a imprensa era parcial e fazia uso de seu poder na defesa deste ou daquele partido ou ideologia.
 
No início dos anos 1960, o renomado radialista Antunes Severo ficou por seis meses na Rádio Difusora Itajaí para reestruturar a estação a convite do grupo que liderava a União Democrática Nacional. Entrementes aos embates políticos a Rádio Difusora vai tomando “gosto popular” à medida que os aparelhos radiofônicos começam a ser mais comercializados e vão tendo preços mais acessíveis à população. Dessa maneira a rádio foi ganhando espaço nos lares das famílias de Itajaí que adquiriam o aparelho, paralelamente às inovações que o rádio oferecia, inovando e aprimorando seus programas, trazendo cada vez mais fascínio do novo e do moderno a Itajaí.
 
Vale lembrar que a rádio já fazia parte do cotidiano das pessoas de muitos centros urbanos brasileiros, e, para os itajaienses, realizavam os desejos de estarem conectados ao mundo moderno. Em 1944, tinha como locutores Remaclo Fischer, Adelino Maia e o cronista Lúcio de Oliveira.

Segundo Magru Floriano dos Santos, “A Rádio Difusora dominou o setor de rádio da cidade por décadas. Irene Boemer, Passarinho Júnior, Silveira Júnior, Breno Kolling, José Pólo, Antônio Carlos Kormann e Aldo Pire4s de Godoy são alguns dos nomes de destaque na história da emissora”, sendo que somente a 28 de setembro de 1968 é instalada uma segunda emissora de rádio na cidade. A Rádio Clube, gradativamente, começa a disputar a preferência do ouvinte itajaiense, chegando à década de 1990 como líder de audiência nos horários nobres do rádio, em especial no período da amanhã”.

Nas décadas iniciais da Rádio Difusora, a exploração d amadeira movimentava o porto de Itajaí, pois era dali que saiam os navios carregando esse produto para outros centros do Brasil e do exterior, e que desde o início do século XX, significou um dos mais importantes campos de atuação das elites e de outros grupos que detinham algum tipo de interesse econômico. Nos anos de 1940 a 1950, o Porto movimentava a vida da cidade com a exportação e importação de mercadorias, fazendo com que pessoas de várias localidades do Brasil e do exterior, transitassem pela cidade.

A exportação de madeira acelerou investimentos na cidade (quando o Porto de Itajaí alcançou a ponta nas exportações desse produto no Brasil), o que contribuiu para a melhoria das estradas, principalmente para o interior do Estado: o que segundo Edson Ávila “alavancou o progresso do município nas décadas de 1940, 1950 (a década de ouro) e 1960”, tendo já incentivado o surgimento do Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina S/A – INCO, banco de capital privado fundado em 1935, impulsionando a economia de Itajaí, durante mais de duas décadas. Segundo ainda Fáveri, “No final dos anos quarenta, Itajaí passa por grandes remodelações: melhorias no Porto, inauguração da nova Igreja Matriz, do edifício do Banco INCO, da nova sede do Clube Guarany, do Jardim Marcos Gustavo Konder, da sede do Iate Clube Cabeçudas, da Sociedade Musical Guarani, construção de ramais ferroviário e rodoviário, Coletoria Estadual, colégios, melhoria na distribuição das águas, do aeroporto etc.”.
 
Isso nos permite analisar que na cidade, tentava-se de várias formas, “melhorar” a estrutura urbana, construindo símbolos que caracterizassem Itajaí como moderna, ou em vias de modernização. Lausimar Laus, escritora itajaiense, pontuou que a cidade lembrava “um porto europeu”, pois marinheiros chegavam, “homens ficavam ricos de repente, construiu-se a mais bela igreja de todo o estado de Santa Catarina”, entre outras obras que destacavam a cidade como próspera.
 
Autoras do livro Irene de Souza Boemer – Dama do Rádio, Cronista da Cidade. Itajaí: Editora Mariadocais, 2008.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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