Isaura Garcia, cantora da era do rádio, tem vida reposta em cena em musical de teatro

Cantora que alcançou projeção nacional nas décadas de 1940 e 1950, em trajetória cuja ascensão e queda coincidem com o apogeu e o declínio da era do rádio, a paulistana – do italianíssimo bairro do Brás – Isaura Garcia (26 de fevereiro de 1923 – 30 de agosto de 1993) costuma ser mais lembrada pela gravação do samba-canção Mensagem (Cícero Nunes e Aldo Cabral, 1946), com o qual fez retumbante sucesso em todo o Brasil há 72 anos.

Foto Wikipédia – arquivo da família

Contudo, o repertório de Isaurinha – como a intérprete era chamada pelos colegas e pelo público – também abarca sambas cheios de balanço, tendo extrapolado o universo folhetinesco do samba-canção.

A vida da artista – cantora de interpretações personalíssimas e maiores do que a voz de sotaque paulistano – também teve lances folhetinescos, desde a fuga de casa para poder tentar a sorte na música até a sofrência por conta de amores mal-sucedidos.

Essa vida é reposta em cena – juntamente com músicas emblemáticas da discografia iniciada em 1941 por Isaurinha na gravadora Columbia – em musical de teatro que estreia em 26 de julho no Teatro Oi Casa Grande, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em temporada prevista para ir até 14 de outubro.

Isaura Garcia – O Musical entra em cena com produção do ator Klebber Toledo, sócio de Rick Garcia, neto da cantora, no projeto de recontar a vida da cantora em musical de teatro. O autor, Júlio Fischer, e a diretora geral, Jacqueline Laurence, são os mesmos do anterior musical Isaurinha Garcia – Personalíssima, espetáculo estrelado em 2003 por Rosamaria Murtinho, atriz que volta a encarnar Isaurinha nesta atual produção de tom hi-tech.

Desta vez, Murtinho vive Isaura somente na fase crepuscular da cantora, que saiu amargurada de cena, aos 70 anos, vítima do esquecimento popular. Nomes recorrentes nos elencos de musicais de teatro, as atrizes Kiara Sasso e Soraya Ravenle dividem com Murtinho a interpretação, em outras fases da vida, dessa cantora de fato personalíssima que emplacou sucessos como Aperto de mão (Augusto Mesquita, Jaime Florence e Horondino Silva, 1943) e O sorriso de Paulinho (Mário Rossi e Gastão Viana, 1943). Morta há 25 anos, Isaura Garcia é revivida em cena.

(Fonte: Colunista Mauro Ferreira – G1, 19/07/2018)

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