ITA é um sucesso na área de ciência e tecnologia

MILTON – Bom dia, Ethevaldo, como vai?

ETHEVALDO: Bom dia, Milton, bom dia, ouvintes. Tudo ótimo.

MILTON – Ethevaldo, quais os projetos brasileiros de maior sucesso nas áreas de ciência e tecnologia?

ETHEVALDO: São projetos estratégicos de longo prazo, nos quais o Brasil investiu com prioridade durante décadas. Um dos melhores exemplos, na minha opinião, foi a criação do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), de São José dos Campos, que nasceu em 1950, por iniciativa do Brigadeiro Casimiro Montenegro.

O papel do ITA tem sido extraordinário, em especial na produção de conhecimento científico e tecnológico nas áreas de eletrônica e aeronáutica. Foi a contribuição conjunta do ITA e do CTA, Centro Tecnológico Aeroespacial, que nasceu a Embraer, hoje a terceira maior indústria aeronáutica do mundo.

Para mostrar como um projeto desses vale a pena, eu gostaria de lembrar que as exportações de aviões da Embraer já renderam ao Brasil o equivalente a mais de 2.000 vezes o que foi investido pelo País no ITA. Só os políticos imediatistas não percebem isso.

MILTON – E que outros projetos de sucesso de longo prazo você destacaria no Brasil?

ETHEVALDO: São muitos, Milton. A criação da Escola Politécnica no final do século 19. Ou ainda a criação do Instituto Butantã, da da USP, a Universidade de São Paulo, em 1934; Fiocruz, no Rio de Janeiro, da Petrobrás em 1953, ou a criação da Unicamp, em 1962, e outras universidades nos últimos 50 anos.

O mais recente desses projetos, Milton, foi a criação da Embrapa, a Empresa Brasileira Agropecuária, em 1973, idealizado pelo agrônomo Eliseu Alves e no período do ex-ministro da Agricultura Cirne Lima.

MILTON – Você acompanhou o desenvolvimento da Embrapa?

ETHEVALDO: Acompanhei, Milton. Mas o episódio que mais me marcou foi uma que fiz ao cerrado, em 1973, em companhia do professor Mário Guimarães Ferri, ex-reitor da USP, um dos estudioso daquela região. Lembro-me das palavras do professor Ferri naquela visita. Como um visionário, ele previu:

— Veja estas terras, hoje sem qualquer cultivo, consideradas de baixa fertilidade, sáfaras, com vegetação baixa, retorcida, marcada pelas queimadas. Posso lhe garantir que a pesquisa científica e a tecnologia poderão transformá-las em um verdadeiro celeiro mundial da produção de soja, milho, arroz e outros produtos agrícolas.

MILTON – E essa previsão se confirmou, não?

ETHEVALDO: Totalmente, Milton. Ao longo dos últimos 40 anos, as terras do cerrado têm sido estudadas, pesquisadas e transformadas. A toxidez de alumínio tem sido corrigida, e tudo que falta a essas terras tem sido adicionado, nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio. E para comprovar os resultados desse trabalho de 40 anos, vale lembrar que Brasil disputa hoje com os Estados Unidos a posição de maior produtor mundial de alimentos.

Amanhã ainda falaremos sobre os grandes projetos tecnológicos nacionais de longo prazo.

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