Jornais catarinenses do século 19 já estão na internet

Biblioteca Pública de Santa Catarina divulga primeira parte da hemeroteca digital. O jornal mais antigo do acervo é “O Catharinense” que data de 1832.

Foto Rosane Lima-NDJornais publicados no Estado nos séculos 19 e 20 estarão disponíveis na internet a partir de sexta-feira. Os arquivos fazem parte da primeira etapa de digitalização do acervo da hemeroteca da Biblioteca Pública de Santa Catarina, que foi realizada por uma equipe de oito pessoas entre bibliotecários, estagiários e funcionários do Instituto de Documentação e Investigação em Ciências Humanas (IDCH), da Udesc, parceira do projeto.

“Nesta primeira etapa da digitalização trabalhamos com 193 títulos publicados em 25 cidades catarinenses. Jornais como “A Urucubaca”, “O Dente”, “O Facão” e “Oh Ferro” ficarão bem mais acessíveis para os pesquisadores, que procuram muito esse material. O foco maior está em jornais dos anos 10 e 20, mas o mais antigo é “O Catharinense”, de 1832”, garante Alzemi Machado, bibliotecário da Biblioteca Pública de Santa Catarina. O processo de criação dos arquivos PDF foi feito tanto a partir dos jornais quanto de microfilmes. “Até setembro deste ano a Biblioteca não tinha nada digitalizado. Agora temos mais de 1500 páginas e com isso já é possível ver a importância das cidades com o passar do tempo pela quantidade de títulos publicados e também pelo destaque que as cidades tinham na produção.

Tijucas era uma cidade pequena mas tinha muitos jornais. A mesma coisa Laguna, que era menor que Joinville mas tinha maior quantidade de jornais”, afirma Alzemi. Para a bibliotecária Patrícia Karla Firmino a maneira cômica e crítica de atuar dos jornais é um destaque do acervo. “Muitos eram dominicais e cômicos. Os jornais faziam piada em cima da política e também eram muito críticos, tanto que os jornalistas às vezes eram perseguidos. Teve até um jornal que denunciou o governador, que fez a assinatura e não pagou. Publicaram que estavam parando de fazer a entrega do periódico porque ele não honrou com seu compromisso”, conta Patrícia.

Os jornais eram ligados a entidades estudantis, sindicais, associações ou mesmo ao partido republicano catarinense e os textos evidenciavam essa variedade ideológica.

“É um presente para a biblioteca que completa 160 anos esse ano. Está em processo a compra de um scanner formato A1 para digitalizar os jornais grandes. Com esse novo equipamento a gente estima que 80% do acervo, que tem 4 milhões de páginas, deve estar digitalizado até o fim do ano que vem”, diz Patrícia. O objetivo, segundo Alzemi, é criar um depositório digital da história de Santa Catarina que não vai ficar restrito aos jornais. “Vamos também digitalizar as obras raras, revistas, relatórios de governo e legislações.

É um projeto audacioso e longo. Pretendemos também criar repositórios únicos junto com outros municípios. Laguna pode ter um exemplar que nós não temos, a gente poderia juntar esse material online”, explica o bibliotecário. O projeto vai fazer com que parte do material que se encontra interditado por más condições volte a estar disponível para pesquisas. “Temos bastante material interditado, jornais que estavam se desfazendo devido à deterioração do papel. Esse material entra na fila para ser restaurado, mas isso depende da disponibilidade de mão-de-obra qualificada e do laboratório estar equipado, leva tempo.

Além disso, a máquina de microfilme da Biblioteca não permitia uma boa leitura do material. Essa máquina já vai entrar para a história também”, brinca Patrícia. Para gringo ler Entre as publicações mais curiosas estão periódicos publicados em alemão e italiano, que circulavam, entre outros locais, em cidades como Blumenau e Urussanga e que datam desde meados do século 19. “A partir de 1930 os jornais em outras línguas deixaram de existir porque o Estado Novo intensificou a questão da nacionalidade”, explica Alzemi. Muitos jornais também eram feitos à mão, com caligrafias muito bonitas e desenhos. É o caso de “O Moleque”, jornal editado pelo poeta Cruz e Sousa, que vai fazer parte do segundo DVD do projeto. Os jornais também permitem acompanhar a evolução da história da fotografia no Brasil.

“As primeiras fotografias aparecem em edições de 1905, 1910. Eram fotos de personalidades, políticos. Depois em 1940, 50, começam a aparecer cenas de cotidiano, regatas, jogos de futebol. Nos anos 60 já temos fotos de ruas, cobertura de cenas da cidade, e nos anos 70 a fotografia já se generaliza em todos os setores dos jornais”, conta Alzemi. Texto: Roberta Ávila | Foto Rosane Lima/ND | Publicado em 02/12/2013

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