Jornalismo de vanguarda (Parte 5)

Na semana passada o quarto capítulo desta série foi encerrado com algumas perguntas que ainda continuam oportunas. Experimente você leitor responder estas questões. Por certo vai encontrar dificuldades por falta de bibliografia ou referências confiáveis. Mas, as questões continuam. O que mudou com a organização profissional dos radialistas e jornalistas da Capital?
 Por Antunes Severo

Como os sindicatos passaram a atuar junto à classe, junto aos patrões e no mercado de trabalho? Aproveite e faça um passeio pela bibliografia incluída no final da matéria.

Vivia-se ainda no início da década de 1960, com raras e notáveis exceções, uma predominante promiscuidade entre o dever de informar e o interesse de boa parte de lideranças políticas, sociais e econômicas. Era comum, como costumava se referir Adolfo Zigelli ver-se mais jornalistas em festividades sociais do que em atos oficiais e acontecimentos que poderiam render boas matérias. Moacir Pereira registra em seu livro “Adolfo Zigelli – jornalismo de vanguarda” que ele (Zigelli) “cunhou e propagou a referência aos jornalistas de coquetel, a famosa turma da boca livre”.

Aliás, é dessa época, “a campanha de moralização” promovida por um pequeno grupo de profissionais contra os desmandos praticados em nome do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina. Por estar incluído nesse grupo de ativistas transcrevo outra referência de Moacir Pereira no seu livro já citado. Ao constatar que o registro de “jornalista profissional” o arcebispo, o principal comerciante da praça e gente de respeitável poder aquisitivo, todos beneficiários da legislação vigente que contemplava os jornalistas registrados na Delegacia Regional do Trabalho com isenção do Imposto de Renda e desconto de 50% nas passagens aéreas, (Adolfo Zigelli) deflagrou publicamente a campanha de purificação da corporação. Antunes Severo revela que a relação de 320 jornalistas registrados caiu para cerca de 120.

O radiojornalismo evoluiu com mais vigor em relação aos jornais que pela tradição, mantinham hábitos e costumes hoje inimagináveis. Era uma época marcada por um estilo rococó nos jornais e nas emissoras de rádio, lembra Moacir Pereira. A forte adjetivação no jornalismo partidário justificava-se pela natureza do engajamento político. Mas, os adornos desnecessários reduziam o impacto da boa notícia e criava até dificuldades para a interpretação do locutor.

É deste período a referência mais comum ao matutino A Gazeta, sempre que registrava um aniversário de repercussão na pequena Florianópolis: “Está aniversariando hoje, para gáudio de todos nós, o belo menino José Inácio, filho do estimado confrade Epaminondas da Silveira. Para marcar a significativa efeméride, seus pais recebem os amigos, quando oferecerão uma lauta mesa de doces e guaranás”.

Narrador (com voz impostada no estilo do personagem Roberto Roberto de Chico Anísio): Diante da ponderabilidade das circunstâncias há que se considerar a hipótese, assaz evidente de que numa circunstância como esta soe acontecer indícios de trânsfugas que pelo simples prazer de uma nova convivência se entregam a périplos inusitados. Ou como direi, é chegado o momento de um “para com isso” que estou de saco cheio. Por isso, caros ouvintes, os convidamos para um novo e edificante capítulo desta revigorante história intitulada Radiojornalismo de vanguarda, na próxima semana neste mesmo dia e horário com o capítulo “Um manual já, aún que todos se opongam”.

Mais radiojornalismo:

:: Eduardo Meditsch. O rádio na era da informação – teoria e técnica do novo radiojornalismo. Florianópolis: Insular / Ufsc, 2001.

:: Moacir Pereira. Adolfo Zigelli – jornalismo de vanguarda. Florianópolis: Insular, 2000.

:: Raul Caldas Filho. O solitário das Galés – reportagens e entrevistas. Florianópolis: Insular, 2006.

:: Ricardo Medeiros. Lúcia Helena Vieira. História do Rádio em Santa Catarina. Florianópolis: Insular, 1999.

:: Ricardo Medeiros. Antunes Severo. Caros Ouvintes – os 60 anos do rádio em Florianópolis. Florianópolis: Insular / Casa do Jornalista, 2005.


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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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